OMS rebate Trump e diz que mudanças na vacinação infantil nos EUA vai contra a ciência
Na segunda-feira (10), o republicano assinou um decreto no qual pede para espaçar a imunização infantil e mencionou diversas vezes um suposto vínculo, não comprovado cientificamente, entre as vacinações e o autismo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) denunciou, nesta quarta-feira (12), que a tentativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de reformar a política de vacinação infantil no país vai contra "décadas de evidência científica". Na segunda-feira (10), o republicano assinou um decreto no qual pede para espaçar a imunização em crianças.
Ao apresentar o texto, Trump mencionou diversas vezes um suposto vínculo entre as vacinações e o autismo — mesmo que não haja evidências científicas sobre a afirmação. Além do presidente, o secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., conhecido por se posicionar contra as vacinas, defende, há anos, uma teoria não comprovada que relaciona o imunizante contra a rubéola ao autismo.
Entretanto, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, insistiu que "a ciência é inequívoca". As vacinas "são seguras e não causam autismo", afirmou em uma publicação nas redes sociais. "Nos preocupa que as mudanças recentes na política de imunização dos Estados Unidos não estejam alinhadas com décadas de evidências científicas", destacou.
O movimento e a decisão de Donald Trump surge em um momento em que o país enfrenta o pior surto de sarampo em 35 anos, acumulando mais de 2.300 infecções registradas. O número tem relação com a queda na adesão à vacina tríplice viral (MMR) nos últimos anos.
Por outro lado, a autoridade da OMS procurou tranquilizar os pais e lembrou que "as vacinas são uma das ferramentas mais poderosas" para proteger as crianças e prevenir doenças potencialmente fatais.
Trump decreta redução de vacinas em crianças
Na segunda-feira (10), Donald Trump assinou um decreto com o objetivo de reformular a abordagem do governo federal em relação às vacinas infantis. A medida propõe reduzir o número total de imunizantes recomendados para crianças nos primeiros anos de vida e dividir o calendário nacional de vacinação em três categorias.
O governo Trump insiste que os bebês devem receber menos imunizações ao longo de um período mais longo, apesar das poucas evidências científicas que apoiam mudanças tão drásticas.
Entre as propostas, está a divisão da vacina contra caxumba, sarampo e rubéola (conhecida como SCR ou Tríplice Viral) em três doses individuais. Essa é uma mudança drástica que contraria o amplo consenso científico e se alinha à insistência de Trump para que o imunizante, amplamente administrado, seja alterado.
Secretário de Saúde e movimento antivacina
Robert F. Kennedy Jr. é uma das figuras públicas mais influentes e controversas no debate sobre vacinas nos Estados Unidos e no mundo. O advogado ambientalista por formação e nomeado Secretário de Saúde e Serviços Humanos (HHS) do governo de Donald Trump tem um histórico de duas décadas questionando a segurança da imunização.
Como chefe do Departamento de Saúde, a gestão dele tem focado em reestruturar a política nacional de imunização:
- Alterações no calendário infantil: buscou reduzir ou desacelerar o cronograma de doses recomendadas para crianças (como vacinas para hepatite B ao nascer e gripe), defendendo a divisão de doses combinadas (como a tríplice viral/MMR).
- Revisão de comitês e diretrizes: demitiu conselheiros de órgãos consultivos e nomeou céticos sobre vacinas, o que gerou forte reação de entidades médicas (como a American Academy of Pediatrics) e bloqueios por decisões judiciais federais.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



