Comissão da ONU acusa Israel de cometer genocídio em Gaza
Relatório aponta responsabilidade do Estado israelense e cita Netanyahu e outras autoridades

Uma comissão internacional independente de inquérito da ONU acusou Israel, nesta terça-feira (16), de cometer genocídio na Faixa de Gaza desde outubro de 2023, com a intenção de "destruir os palestinos". O relatório implica o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e outras autoridades do país.
A presidente da comissão, Navi Pillay, disse à AFP que o grupo "concluiu que o genocídio estava ocorrendo em Gaza e continua ocorrendo".
"A responsabilidade é do Estado de Israel", afirmou, ao apresentar o novo relatório.
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa'ar, reagiu dizendo que o país "rejeitou categoricamente" este "relatório tendencioso e mentiroso" e pediu "a dissolução imediata" da comissão.
Veja as acusações da comissão
O relatório foi publicado quase dois anos após o início da guerra, desencadeada pelo ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023. Desde então, Netanyahu prometeu destruir o movimento islâmico que controla Gaza desde 2007.
A comissão concluiu que as autoridades e forças de segurança israelenses cometeram "quatro dos cinco atos genocidas" definidos pela Convenção de 1948 para a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio:
- Assassinato de membros do grupo;
- Danos físicos ou mentais graves aos membros do grupo;
- Imposição intencional ao grupo de condições de vida calculadas para causar sua destruição física, no todo ou em parte;
- Medidas destinadas a impedir nascimentos dentro do grupo.
Segundo o relatório, o presidente, Isaac Herzog, o primeiro-ministro, Netanyahu, e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant "incitaram o genocídio" e "as autoridades israelenses não tomaram medidas" para evitá-lo.
"Está claro que há uma intenção de destruir os palestinos em Gaza por meio de atos que atendam aos critérios estabelecidos na Convenção sobre Genocídio", disse Navi Pillay.
A ex-presidente do Tribunal Penal Internacional para Ruanda acrescentou que a alta liderança israelense "orquestrou uma campanha genocida".
Repercussão internacional
A comissão não é um órgão judicial, mas seus relatórios podem servir como base para processos em tribunais internacionais. O grupo mantém um acordo de cooperação com o Tribunal Penal Internacional (TPI), com o qual "compartilhamos milhares de informações", disse Pillay.
"A comunidade internacional não pode permanecer em silêncio diante da campanha genocida de Israel contra o povo palestino em Gaza. Quando surgem sinais e evidências claras de genocídio, a omissão em agir para pôr fim a ele equivale a cumplicidade", acrescentou.
A guerra já deixou quase 65.000 mortos em Gaza, segundo dados do Ministério da Saúde local, administrado pelo Hamas e considerados confiáveis pela ONU.
Israel tem sido acusado de genocídio em diversas instâncias internacionais, incluindo a Corte Internacional de Justiça, após denúncia apresentada pela África do Sul. As autoridades israelenses, mas rejeitam essas acusações.
*Com agências
Izabella Gomes se graduou em Jornalismo na PUC Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias de Educação e Saúde.



