Ouça a rádio

Ouvindo...

Times

‘Olho do Saara': entenda origem de misteriosa formação que é vista do espaço

Fenômeno está relacionado a ação vulcânica no deserto africano, que afetou a geologia da região há milhares de anos

"Olho do Saara": Estrutura de Richat

“Olho do Saara": pesquisam indicam que vulcão pode ter sido origem do fenômeno

NASA

O “Olho do Saara”, conhecida como Estrutura de Richat, é uma formação geológica circular localizada na Mauritânia, no meio do deserto do Saara, e se tornou um dos maiores mistérios do planeta.

A esfera, que se assemelha ao formato de um olho, possui cerca de 50 km de diâmetro e só é visível do espaço.

Ao longo do tempo, surgiram várias teorias da conspiração que acreditavam que a cratera havia sido criada com impacto de um meteoro na África ou com a ação de extraterrestres.

No entanto, novos estudos científicos rechaçam as “teses sobrenaturais”, propondo soluções mais factíveis. Entenda:

Leia Também

Vulcão no Saara?

Em 2023, uma equipe de cientistas da Universidade de Oxford, no Reino Unido, publicou no periódico Nature Geoscience, identificou que a origem do “Olho do Saara” relacionado à ação vulcânica.

A pesquisa descobriu que a cúpula central da estrutura misteriosa foi formada após uma intrusão de magma penetrar a crosta terrestre.

Com o passar do tempo, o magma esfriou e solidificou, formando a cúpula com o formato esférico com 50 km de diâmetro.

A descoberta aponta que já houve um vulcão no meio do deserto do Saara, mas não significa que ele ainda esteja ativo.

Desde então, o vulcão não entrou mais em erupção e foi gradualmente desgastado pela ação do vento e da água.

Apesar de não haver respostas concretas sobre o assunto, é possível que a atividade de um vulcão no Saara no passado tenha desempenhado um papel importante na formação do deserto ao alterar o clima da região.

A erupção de vulcões pode liberar grandes quantidades de gases e partículas na atmosfera, que bloqueam a luz solar e resfriam o planeta. Isso pode ter levado a uma redução das chuvas na região do Saara, contribuindo para a formação do deserto.

Ação do vento

A pesquisa de Oxfor também forneceu novas evidências de que o “Olho do Saara” é uma formação geológica formada pela ação do vento e da água em uma cúpula geológica elevada.

Os cientistas de Oxford usaram a tomografia sísmica para estudar a formação misteriosa.

O método usa ondas sonoras para criar imagens de objetos internos, mostrando diferentes tipos de rochas e materiais no interior do solo. O estudo revelou que a estrutura é mais complexa do que se esperava.

A cúpula central é dividida em duas partes por uma falha geológica, que pode ter sido formada quando a intrusão de magma do interior da Terra se solidificou.

Os resultados mostraram que a estrutura é composta de dois tipos de rochas principais: rochas sedimentares e rochas ígneas.

Os anéis mais externos são feitos de rochas sedimentares mais antigas, enquanto os anéis mais internos são feitos de rochas ígneas mais jovens.

Portanto, as duas rochas não podem ter sido formadas pela mesma erupção de magma - uma massa de rocha fundida.

As rochas ígneas são formadas pelo resfriamento do magma, enquanto as rochas sedimentares são formadas pela deposição de sedimentos.

No entanto, a erupção foi grande o suficiente para elevar a crosta terrestre, alterando as condições geológicas da área e possibilitando a formação de cúpula central.

Ao longo do tempo, o vento e a água esculpiram a cúpula, formando os anéis concêntricos que vemos hoje.

Anéis concêntricos são estruturas que possuem formato circular, dispostos em torno de um centro comum, assimo como os olhos humanos.

Mais antigo do que se esperava

Em 2023, uma pesquisa da Universidade de Quebec, no Canadá, liderada pelo geólogo Nicolas Méthot, trouxe evidências sobre a idade do “Olho do Saara”.

O estudo, publicado no periódico Geology, revelou que a estrutura é mais antiga do que se pensava anteriormente: os resultados mostram que a erupção de magma aconteceu há cerca de 600 milhões de anos.

Por outro lado, as rochas mais jovens que compõem a cúpula central têm cerca de 550 milhões de anos.

Os cientistas acreditavam que a estrutura tinha cerca de 500 milhões de anos.

Os cientistas usaram um método chamado de datação por isótopos de argônio-potássio para determinar a idade das rochas que compõem a estrutura.

Os estudos da Universidade de Quebec e Oxford são complementares, porque provam que “Olho do Saara” é uma formação geológica formada pela ação do vento, da água e do magma na Terra.

Participe do canal da Itatiaia no Whatsapp e receba as principais notícias do dia direto no seu celular. Clique aqui e se inscreva.

Formado em Jornalismo pela UFMG, com passagens pelo jornal Estado de Minas/Portal Uai e produção de vídeos para a Labe Tecnologia. Hoje, é repórter multimída da Itatiaia na área de Tendências Digitais.
Leia mais