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Sonda japonesa pode ficar sem energia após pousar na Lua, informa Jaxa

O Japão se tornou o quinto país do mundo a pousar na Lua, mas enfrenta problemas com os painéis de energia solar

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Japão se tornou o quinto país a pousar na Lua com sucesso, mas sonda enfrenta problemas com painéis solares

Foto: JAXA/Divulgação

O Japão se tornou, nessa sexta-feira (19), o quinto país do mundo a pousar na Lua, mas a sonda está ficando sem energia devido a um problema no sistema de baterias solares.

A agência espacial japonesa, JAXA, informou que o módulo não tripulado Smart Lander for Investigating Moon (SLIM) pousou na superfície lunar e conseguiu fazer comunicação com a Terra 20 minutos após a aterrissagem.

No entanto, os seus painéis solares pararam de funcionar, deixando a sonda com bateria restante para apenas “algumas horas”, anunciou a JAXA.

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Os encarregados pela missão japonesa priorizaram a coleta de dados enquanto for possível, embora exista a possibilidade das baterias voltarem a funcionar com a mudança do ângulo da luz solar.

"É pouco provável que a bateria solar tenha falhado. É possível que não esteja apontando na direção proposta originalmente”, disse Hitoshi Kuninaka, da JAXA, durante coletiva de imprensa.

“Mas (a sonda) está enviando dados para a Terra”, acrescentou.

A SLIM é uma das novas missões lunares que foram lançadas por países e empresas privadas 50 anos depois de Neil Armstrong pisar pela primeira vez na Lua, em 1969.

Não foram poucos os fracassos para alcançar o satélite ao longo da história. As duas missões anteriores do Japão, uma pública e outra privada, fracassaram.

Até agora, apenas quatro países conseguiram realizar esta missão com sucesso: Estados Unidos, a então União Soviética, China e Índia.

“Grande sucesso”

“Se a descida não tivesse sido um sucesso, (a sonda) teria caído a uma velocidade muito elevada. Se este fosse o caso, todo o funcionamento da sonda teria sido perdido”, explicou Hitoshi Kuninaka, Diretor Geral do Instituto de Ciência e Astronáutica Espacial (ISAS), da JAXA.

A JAXA quer analisar os dados obtidos durante a missão para determinar se a sonda realizou o objetivo de pousar a um raio de 100 metros do local previsto.

A SLIM devia aterrissar em uma cratera, onde se acredita que possa acessar o manto da Lua - a camada intermediária entre a crosta e o núcleo do satélite.

Embora a precisão do pouso ainda não tenha sido verificada, “acredito que a missão é um grande sucesso”, disse Jonathan McDowell, astrônomo do Centro de Astrofísica Harvard–Smithsonian.

O problema com os painéis solares pode ter muitas explicações, disse à AFP.

“Um cabo pode ter se soltado, estar conectado de forma errada ou o módulo de pouso está ao contrário e não pode ver o sol por algum motivo”, especula.

O cientista espera que a JAXA tenha conseguido baixar as imagens da alunissagem, mas minimiza o experimento em relação ao estudo da composição das rochas da superfície lunar.

“Francamente, este experimento era adicional e não era tão importante para a missão”, acrescentou.

As duas sondas da Jaxa se deslocaram com sucesso na Lua, segundo a agência espacial.

Uma delas está equipada com um transmissor e a outra foi projetada para circular pela superfície lunar e enviar as imagens à Terra.

Este pequeno ‘rover’, um pouco maior que uma bola de tênis, foi desenvolvido em conjunto com a empresa que criou os brinquedos Transformer.

Riscos

A Lua é um objetivo complexo, como demonstram os muitos fracassos das missões anteriores.

Este mês, um módulo privado americano teve que voltar à Terra devido a um vazamento de combustível e perdeu o contato em uma área remota do Pacífico sul.

A Nasa também anunciou recentemente o adiamento das missões tripuladas para a Lua no âmbito do programa Artemis, com o foguete Starship, em parceria com a Space X, empresa do bilionário Elon Musk.

Rússia, China, Coreia do Sul e Emirados Árabes Unidos, entre outros, também tentam chegar à Lua.

*Com informações da AFP

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Formado em Jornalismo pela UFMG, com passagens pelo jornal Estado de Minas/Portal Uai e produção de vídeos para a Labe Tecnologia. Hoje, é repórter multimída da Itatiaia na área de Tendências Digitais.
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