Presidente da UE comemora aprovação de acordo com o Mercosul: 'É vantajoso para todos’

Acordo foi aprovado nesta sexta-feira (9), após 25 anos de negociações

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, fala durante uma coletiva de imprensa conjunta com o presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, após a 25ª cúpula UE-China em Pequim, em 24 de julho de 2025.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, celebrou a aprovação do acordo da União Europeia (UE) com o Mercosul. Nesta sexta-feira (29), os países-membros da UE votaram sim pelo acordo, que era negociado desde 1999.

“Após 25 anos de negociações, concretizamos um acordo substancial e mutuamente benéfico, que aumentará a prosperidade e criará oportunidades incríveis. Este acordo marca uma nova era de comércio e cooperação com os nossos parceiros do Mercosul. Mas é também uma prova da resistência e da força da nossa relação com a América Latina, e que nos aproximará ainda mais”, disse ela, em comunicado.

Segundo a presidente, com o acordo, será criado um mercado de 700 milhões de pessoas, se tornando a maior zona de livre comércio do mundo. Ela ressaltou as vantagens do acordo para a Europa.

“Hoje, 60.000 empresas europeias exportam para o Mercosul, metade das quais são pequenas e médias empresas que se beneficiarão de tarifas mais baixas, economizarão cerca de 4 bilhões de euros por ano em direitos de exportação e se beneficiarão de procedimentos aduaneiros mais simples”, explicou.

“Fundamentalmente, isso também dará às nossas empresas melhor acesso a matérias-primas essenciais”, acrescentou.

Von der Leyen afirmou que ouviu as preocupações dos agricultores - que protestaram contra o acordo - e que agiu “de acordo com elas”. “Este acordo contém salvaguardas robustas para proteger seus meios de subsistência”, afirmou.

Para a presidente, o acordo “criará mais oportunidades de negócios e impulsionará o investimento europeu em setores estratégicos”. “Prevê-se que as exportações da UE para o Mercosul cresçam quase 50 mil milhões de euros até 2040 e que as exportações do Mercosul, por sua vez, cresçam até 9 mil milhões de euros”, apontou.

“Por fim, este é mais do que um acordo comercial baseado numa parceria igualitária. Estamos a criar uma plataforma para o diálogo político, que reforçará a relação entre a Europa e o Mercosul e nos permitirá alinhar melhor com os nossos parceiros internacionais”, concluiu.

Agora, ela deverá ir a Assunção, no Paraguai, na segunda-feira (12) para assinar o acordo.

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O que é o acordo Mercosul-UE?

Negociado desde 1999, o tratado entre União Europeia e Mercosul busca criar a maior área de comércio do mundo, reunindo cerca de 718 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de 22 trilhões de dólares.

O acordo prevê tarifas reduzidas ou zeradas para uma série de setores industriais e agrícolas, de acordo com as especificidades de cada mercado. Na parte do Mercosul, a oferta é de uma ampla liberalização tarifária de uma cesta de produtos. Cerca de 77% dos produtos agropecuários que a União Europeia compra de países do bloco da América do Sul podem ter as tarifas zeradas.

Apenas uma parcela reduzida dos bens negociados entre os dois blocos estão sujeitos a alíquotas ou tratamentos não tarifários. Para o setor automotivo, por exemplo, estão em negociação condições especiais para veículos elétricos, movidos a hidrogênio e novas tecnologias em um período de 18, 25 e 30 anos.

Formada pela PUC Minas, Maria Fernanda Ramos é repórter das editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo na Itatiaia. Antes, passou pelo portal R7, da Record.

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