A tensão do
O episódio marca uma escalada nos protestos registrados após o ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que resultou na morte do líder supremo iraniano. A notícia provocou forte indignação entre setores da comunidade xiita paquistanesa e elevou ainda mais a tensão diplomática na região.
De acordo com autoridades, centenas de manifestantes, em sua maioria xiitas, marcharam até o consulado americano em Karachi. Durante o ato, a grade principal foi derrubada e parte do grupo conseguiu entrar no complexo diplomático, causando danos materiais. Houve tentativa de incendiar uma janela do prédio, mas a polícia negou que o fogo tenha atingido a estrutura principal. Uma cabine policial próxima foi incendiada e várias janelas foram quebradas antes que as forças de segurança retomassem o controle.
O hospital central de Karachi informou que inicialmente recebeu seis corpos. O número de mortos subiu para nove após a morte de três feridos em estado grave. Entre os cerca de 25 feridos estão manifestantes e integrantes das forças de segurança. Os confrontos se estenderam por várias horas nos arredores do consulado.
Mesmo após o auge da violência, testemunhas relataram que dezenas de pessoas permaneceram concentradas a cerca de um quilômetro da representação diplomática, incentivando novos participantes e atirando pedras contra os agentes de segurança. Ruas foram bloqueadas e houve forte presença policial e paramilitar na área.
Protestos em outras cidades do Paquistão
A onda de indignação não ficou restrita a Karachi. Em Islamabad, cerca de 4 mil pessoas se reuniram em frente à embaixada dos Estados Unidos. A polícia utilizou gás lacrimogêneo e efetuou disparos para o alto para dispersar a multidão.
Em Multan, os protestos ocorreram de forma majoritariamente pacífica, embora marcados por palavras de ordem contra Washington e Tel Aviv. Já em Lahore, houve mobilização diante do consulado americano sob forte esquema de segurança.
No norte do país, em Skardu, manifestantes invadiram um escritório local das Organização das Nações Unidas, incendiaram o prédio e destruíram ao menos três veículos, aumentando a preocupação internacional com a escalada da violência.
As autoridades anunciaram reforço na segurança de todas as sedes diplomáticas dos Estados Unidos no país e alertaram para novas convocações de protestos nos próximos dias.
O ministro do Interior do Paquistão, Mohsin Naqvi, fez um apelo público pela calma. “Cada cidadão do Paquistão compartilha o luto do povo do Irã”, declarou. Ele pediu que a indignação seja expressa de forma pacífica e ressaltou o compromisso do governo com a liberdade de manifestação, desde que a ordem pública seja preservada.
O governo provincial de Sindh também pediu que a população evite atos de violência e depredação.
Comunidade xiita
Os distúrbios evidenciam o peso da comunidade xiita no Paquistão, que representa cerca de 15% dos aproximadamente 250 milhões de habitantes do país, formando um dos maiores grupos xiitas do mundo.
Nos últimos anos, protestos contra os Estados Unidos e Israel têm sido frequentes, mas raramente atingiram o nível de violência observado agora. Durante as manifestações, líderes comunitários e participantes destacaram a importância do líder iraniano morto como referência espiritual para xiitas e também para sunitas que se sentem oprimidos.
Muitos manifestantes demonstraram insatisfação com o que consideram proximidade excessiva de setores oficiais paquistaneses com Washington.