Quantas histórias carregam ladrilhos, fachadas, monumentos e até ruínas? O patrimônio histórico de uma cidade merece atenção apenas dos olhos de quem é de fora?
Na contramão da correria do cotidiano, que tira de nós a riqueza dos detalhes, os turismólogos e pesquisadores Inácio Botto e Pamela Stéfanie, criaram o projeto Histórias de Juiz de Fora.
Como era essa rua? O que tinha onde hoje tem esse prédio? Curiosidades que levam o público a conhecer a Juiz de Fora de ontem para entender a de hoje. E haja coração. Porque riqueza, protagonismo e vanguarda é o que não faltam por aqui.
Atualmente, o projeto oferece dois roteiros: Entre Prédios e Histórias, que passa pelas edificações entre o Parque Halfeld e o Mercado Municipal; e o Café com Histórias, que parte da Catedral, desce a Espírito Santo até a parte baixa da Halfeld. Mais de 1.100 pessoas já fizeram o trajeto nesse ano. E o mais interessante: a iniciativa tem o foco no morador da cidade.
“A gente só vai preservar aquilo que a gente conhece. As pessoas sempre lembram das suas infâncias. Então, quando falamos de patrimônio, estamos falando das lembranças e relações de pessoas com determinado espaço. É uma forma de amor, de amar a cidade”, explica o turismólogo e historiador Inácio Botto.
E foi a curiosidade do Inácio que o levou a bater à porta do Hotel São Luiz. Quem passa pela movimentada parte baixa da Halfeld, imaginaria um salão com móveis da década de 40 e um jardim regado de plantas e afeto em pleno centro? Uma descoberta, o tocar de um piano e um convite.
Dezoito mil compartilhamentos depois, o negócio, que já havia ensaiado o fechamento na pandemia e sofria com o telhado destruído pela chuva, se reinventou.
“O projeto encorpou. Aumentamos a nossa visibilidade e agora estamos com o café funcionando”, afirma a administradora Cristina Monteiro Felipe.
O Hotel São Luiz, que está há mais de 40 anos na história da família de Cristina, chegou a fechar na pandemia porque a maioria dos funcionários era do grupo de risco. Nessa nova fase, trabalhando ao lado da mãe e sobre os olhares atentos da filha, ela reconhece o quanto o patrimônio pode impactar no negócio.
“As pessoas que entram aqui, elas entram em contato com histórias suas. A gente procura preservar o patrimônio por um ato de amor, mesmo sem recebermos incentivos governamentais”, alega.
Revitalização do Centro Histórico busca a valorização da área central
Em janeiro deste ano, a prefeitura publicou decreto 17.025, que delimita oficialmente o Centro Histórico de Juiz de Fora. Também foi apresentado um plano de requalificação, que integra mobilidade, segurança, acessibilidade e valorização da identidade.
Eduardo Crochet, secretário de Turismo, explica que o centro da cidade permite uma viagem ao tempo. “Você passa por diferentes períodos da história e vai reconhecer momentos da arquitetura na fachada - colonial, imperial até a República. A revitalização vai favorecer a valorização, o conhecimento e a entrada do patrimônio, em um centro que já tem a vocação de compras e do turismo comercial”, afirma.
Segundo a Prefeitura, o Centro Histórico compreende o núcleo urbano delimitado por vias como a rua Barão de Cataguases, a rua Espírito Santo, a avenida Francisco Bernardino, a avenida Getúlio Vargas, a rua Halfeld, entre outras. A área também inclui locais como o Largo do Riachuelo, a Praça Menelick de Carvalho e o entorno da Catedral Metropolitana de Juiz de Fora.
A delimitação considera a importância histórica dessas regiões, que remetem à formação da cidade, desde seus primeiros povoamentos até o polo industrial e cultural, sendo conhecida como “Manchester Mineira”.
Confira a matéria especial sobre o projeto Histórias de Juiz de Fora.
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