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Estruturado, Maringá sonha com Série B em busca de história na Copa do Brasil

Equipe paranaense tem projeto ambicioso e chega ao Maracanã com vantagem diante do Flamengo e sonhando com a Série B

A grande surpresa até agora da terceira fase da Copa do Brasil, sem dúvidas, foi a vitória por 2 a 0 do Maringá sobre ninguém menos que o Flamengo, atual campeão da competição e o elenco mais caro da América do Sul. Mas quem acha que o triunfo paranaense no primeiro jogo foi um acaso, se engana. Com anos de estruturação, o Maringá Futebol Clube foi de Sociedade Anônima (SA) para a chamada SAF (Sociedade Anônima de Futebol). E a seriedade do projeto e investimento vêm começando a render frutos.

O presidente do clube parananese, João Vitor Mazzer, contou que os planos ambiciosos do clube. Fundado em 2010, o Dogão chegou as semifinais do Campeonato Paranaense nesta temporada e chega a terceira fase da Copa do Brasil com vantagem. Após eliminar Sampaio Corrêa e Marcílio Dias, o clube acumulou cerca de R$ 3,75 milhões em premiações, que garantiram investimento para o grande projeto: chegar até a Série B do Campeonato Brasileiro.

“O que entrou agora pela primeira e segunda fase, são recursos suplementares e não estávamos esperando por ele. A partir disso, o que vem líquido é 90% do divulgado, investimos em estruturas de viagens, de treino e também para os atletas que conseguiram essas conquistas. Isso é fator motivador, que eles sabem que assim que cai o dinheiro da CBF, recebem o bicho em dias. O principal dessa premiação foi o incremento de folha de quase 50% do que tínhamos planejado para a Série D. Isso nos coloca em um grupo entre os maiores orçamentos da Série D no ano. Não é garantia de classificação, mas sim de aumentar nossas chances de acesso”, contou Mazzer à Itatiaia.

O presidente revelou que em 2019 para 2020 foi trocada a diretoria de futebol do Maringá, já pensando em estar nas principais divisões do futebol brasileiro. Depois de bater na trave e não conseguir disputar a Série D, este ano o Maringá vem já com o pensamento de estar entre os quatro melhores da Quarta Divisão.

“Nível nacional, alguns anos já, desde 2020 quando começamos o trabalho no futebol na segundo do Paraná, traçamos o objetivo da Série B do Brasileiro. Analisando o mercado, é uma divisão que tem clubes de sucesso. Temos potencial de cidade, trabalho e de projeto para isso. Lógico que não em um curto prazo, pensamos até 2026 que chegaríamos lá. Não conseguimos a vaga na D em 2022 e agora estamos na disputa na Copa do Brasil e Série D. Vai ser nosso primeiro ano de tentativa. Os dez times espelhos da D que selecionamos para analisar, folha salarial, modelo de gestão, acreditamos que estamos no patamar desses clubes pelas quatro vagas. Estamos preparados com vigor financeiro e vigor desportivo para esse projeto”, revelou.

O caminho pelo acesso começa no dia 5 contra o XV de Piracicaba, em Piracicaba. Ainda na primeira fase o Maringá encara Ferroviária, Cascavel, Operário-MS, Patrocinense, CRAC e Inter de Limeira.

Planejamento é o mesmo se passar pelo Flamengo

Se conseguir confirmar a grande zebra desta fase da Copa do Brasil e despachar o Flamengo, o Maringá Futebol Clube manterá a mesma ideia para o restante da temproada, sem sonhar com o título do torneio nacional. Isto porque, Mazzer garante que o clube já se planejava para trocas eventuais neste período, inclusive pensando na disputa da Série D nacional. Do primeiro jogo com o Fla, no Estádio Willie Davis, para o desta quarta-feira no Maracanã, serão quatro mudanças: Robertinho foi para o Juventude, enquanto Vilar, Matheus Bianqui e Marcos Vinícius foram para o Coritiba.

“Caso a gente avance vai ser o mesmo planejamento para esse jogo de volta com o Flamengo. Como o janela já fechou, nosso elenco está pronto para a disputa da Série D e vai ser o mesmo para qualquer eventual fase da Copa do Brasil. O elenco foi planejado para sofrer alterações entre o Estadual e a Série D. Já definimos, o trabalho vai ser o mesmo. Negociamos seis atletas, dois no Paranaense, um com a Coréia do Sul e outro com Goiás e agora perdemos mais quatro. Já substituímos a maioria dos jogadores”, disse Mazzer.

Organização e entres melhores do Estadual

Quando assumiu o cargo do clube em 2020, João Vitor Mazzer afirmou que encontrou o clube com pouca estrturação e diversos problemas. Aliando-se ao projeto da SAF, com novos investidores, o Maringá entrou nos eixos, subindo para a primeira divisão do Campeonato Paranaense e atingindo resultados imensos no futebol local. No primeiro ano, ficou entro os oito melhores, foi vice-campeão estadual em 2022 e caiu nas semifinais neste ano. Um título também já está nos planos.

“O clube era exemplo de desorganização e desestruturação. Fomos liquidando dívidas. Entramos para entender e organizar tudo isso. Estruturamos processos com pessoas técnicas em cargos técnicos. Pessoas com competências, honestidade e capacidade. Conseguimos alguns objetivos. Tivemos um ciclo de aprendizagem que ainda não acabou. Aprendemos todos os anos e todos os dias. Nos três primeiros anos tivemos erros e aprendizagens”, comentou o mandatário do Dogão.

Mazzer ainda falou dos benefícios que o clube encontrou com a SAF e com novos investidores para o futebol do clube, que cresce a cada temporada.

“Queríamos objetivos claros de associações esportivas, estruturando uma categoria de base e criando receitas com torcida e jogadores. Depois de seis anos e meio temos um clube organizado, ainda pequeno, mas bem organizado. Temos bom case de público e receita. No momento o Maringá está assim com vários acionistas. O principal foi a observação e exigência de uma governança clara. Lógico, uma fonte para bancar todo esse déficit anual que tivemos antes. A SAF é uma garantidora de recursos e de governança”, completou.

Nesta quarta-feira, o Maringá pode fazer história que nem nos melhores sonhos poderia imaginar. Pela primeira vez no Maracanã, o Dogão pode voltar para o Sul do Brasil com uma histórica classificação na bagagem.

Jornalista esportivo desde 2006 e com passagens por Lance!, Extra e assessorias de marketing esportivo. É correspondente da Itatiaia no Rio de Janeiro. Tem pós-graduação em Jornalismo Esportivo e formação em Análise de Desempenho voltado para mercado.
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