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Após ‘pega’ da medula, saiba próximos passos de Fabiana Justus no tratamento contra leucemia

Influenciadora celebrou ‘pega’ da medula óssea nesta terça-feira (9), 13 dias após transplante

O dia 9 de abril entrou para a história de Fabiana Justus, de 37 anos, que possui diagnóstico de leucemia mieloide aguda e conseguiu a “pega” da medula óssea, há exatos 13 dias do transplante realizado. Com isso, a influenciadora irá avançar para outra etapa do tratamento.

Chamado por ela de “renascimento”, a data já fazia parte da vida dela, que celebra 13 anos de casamento neste dia. Agora, são dois motivos para comemorar.

Mariana Chalup, hematalogista do Cancer Center Oncoclínicas, explica que a pega “é um marcador do momento que é percebido que o corpo do paciente está conseguindo produzir novamente as células do sangue”.

Todos os dias pacientes transplantados passam por um exame de hemograma. É através dele que os médicos constatam a “pega”.

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Segundo a médica, “a substituição desse tecido ocorre através da destruição da medula óssea doente do paciente com quimioterápicos e a substituição dessa medula através da transfusão das células-tronco desse doador. Então o paciente vai ser internado no hospital, ele vai receber uma quimioterapia em doses altas capazes de destruir por completo a sua medula óssea. Por isso, ele fica com a imunidade muito baixa, por isso ele tem os efeitos, que a gente já conhece da quimioterapia, náuseas, o cabelo pode cair...”.

Chalup completa: “A gente vai fazer com que essa medula do paciente volte a funcionar com a medula do doador. Ele doando a medula, seja da própria medula ou das células tronco periféricas, ela vai encontrar no corpo do paciente um espaço propício pra crescer, desenvolver, amadurecer e voltar a produzir os componentes do sangue que ele precisa”.

A nova medula óssea é recebida pelo paciente como se fosse uma transfusão de sangue.

“Ele recebe através de um cateter, que nada mais é do que um acesso venoso, mais calibroso, e essas células sanguíneas do doador vão ficar então circulando por um período no corpo desse paciente até que elas consigam encontrar o local restrito da medula óssea, da produção de células sanguíneas, elas vão amadurecer e voltar a produzir os componentes do sangue”, destaca a hematologista.

É neste momento, conforme a médica, que ocorre “a famosa pega da medula”.

Próximos passos

O tempo de recuperação pode não ser o mesmo para cada paciente. “Geralmente, a medula óssea recupera a produção do novo enxerto em torno de 15 a 20 dias após a infusão, dependendo de várias questões, como idade do paciente, do doador e do tipo de transplante”, pontua a hematologista.

Após esse período, “o paciente estando com as infecções controladas pode ter alta do hospital, mas ainda por pelo menos 100 dias pós-transplante ele vai precisar de um acompanhamento rigoroso com consultas semanais no mínimo.”

Depois de 100 dias, os médicos vão “reduzindo os imunossupressores, o paciente vai voltando a receber algumas vacinas, as medicações vão sendo diminuídas e essas consultas vão sendo mais espaçadas.”

A hematologista esclarece: “O tempo de recuperação é muito variável, tem paciente que mesmo anos depois do transplante ainda precisa de alguns cuidados, ainda precisa de medicações e de um acompanhamento mais rigoroso.”

Chances de cura

A hematologista pontua que a doença pode ser dividida em leucemia mieloide aguda, leucemia mieloide crônica, leucemia linfoblástica aguda e leucemia linfocítica aguda, que são caracterizadas de acordo com o tipo de célula que está acometida nessa doença.

“Dentro de cada um desses grupos, a gente vai ter alguns graus que vão conferir um risco maior dessa doença de acordo com algumas características moleculares e genéticas”, esclarece.

No caso de leucemia mieloide aguda, que é o caso de Fabiana Justus, as chances de cura podem variar entre 60% e 70%. Outros grupos de risco podem ter em torno de 20% a 30% de chance.

"É baseado nesses achados moleculares e genéticos que a gente, inclusive, vai indicar ou não a realização de um transplante de medula óssea. Então nem todo paciente com leucemia precisa de um transplante de medula”, destaca.

“Os pacientes com leucemias crônicas, tanto mieloide quanto linfoide, hoje em dia, são raramente submetidos a transplantes. Porque hoje a gente já tem tratamentos bons para essas doenças, não são tratamentos curativos, mas são tratamentos que conseguem controlar a doença a ponto do paciente muitas vezes ter uma vida próxima da vida normal”,

Porém, em caso de leucemias agudas, “a gente já costuma ter uma indicação mais frequente da realização de transplante”.

Descoberta

No dia 25 de janeiro deste ano, Fabiana revelou ter sido diagnosticada com leucemia mieloide aguda e falou sobre a descoberta em vídeo postado nas redes sociais. Segundo a influenciadora, ela foi hospitalizada com “uma dor esquisita nas costas e febre”. A partir dali, ela foi internada, passou por exames, colocou o cateter e já começou a quimioterapia.

No dia 27 de março, Fabiana contou que conseguiu um doador 100% compatível com ela e que faria o tão esperado transplante de medula óssea. Após 13 dias, ela relatou que conseguiu a “pega” e avançou no tratamento.

A influenciadora chamou o dia de “novo aniversário” e “nova chance na vida”. Ela finalizou com uma promessa: “viver com ainda mais gratidão e ainda mais amor do que já tinha. Se é que é possível.”


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Patrícia Marques é jornalista e especialista em publicidade e marketing. Já atuou com cobertura de reality shows no ‘NaTelinha’ e na agência de notícias da Associação Mineira de Rádio e Televisão (Amirt). Atualmente, cobre a editoria de entretenimento na Itatiaia.
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