A política de reajustes salariais para cargos executivos deve ser marcada por maior cautela ao longo de 2026. Um levantamento divulgado nesta semana pela consultoria Michael Page aponta que quase metade das empresas brasileiras não pretende conceder aumentos além do que já é previsto em lei ou em convenções coletivas.
Segundo os dados do Guia Salarial 2026, 45% das companhias afirmam que não planejam reajustes reais, percentual superior ao registrado no ano anterior. Apenas 20% das empresas dizem ter intenção de conceder aumentos acima do dissídio, enquanto 36% ainda não definiram qual será a política salarial para o próximo ano, indicando um cenário de indefinição no planejamento corporativo.
Reajustes reais serão exceção
Entre as empresas que afirmam planejar aumentos além do previsto em lei, a maior parte trabalha com percentuais moderados. Cerca de 45% desse grupo projeta reajustes entre 3% e 5%, enquanto 30% estimam aumentos entre 6% e 10%. Reajustes mais elevados aparecem como exceção: apenas 1% das companhias sinaliza aumentos acima de 20%.
O levantamento foi realizado com 7.147 profissionais, de 998 empresas, abrangendo organizações de pequeno, médio e grande porte, além de companhias nacionais e multinacionais.
Contexto econômico influencia decisões
A contenção salarial ocorre em um contexto de maior cautela financeira por parte das empresas. A combinação entre incertezas econômicas, pressão sobre custos e necessidade de preservação de caixa tem levado organizações a rever estratégias de remuneração, especialmente nos cargos de liderança.
Esse movimento reforça uma tendência observada nos últimos meses. De acordo com a pesquisa, 59% dos profissionais não receberam aumento salarial no último ano, o que ajuda a explicar o nível de insatisfação registrado entre executivos.
Satisfação com salários segue baixa
O estudo também revela um descompasso entre expectativas e realidade salarial. Apenas 5% dos profissionais afirmam estar muito satisfeitos com a remuneração atual, enquanto 39% se dizem insatisfeitos. Outros 45% declaram satisfação parcial, indicando que, embora não haja uma crise generalizada, o tema remuneração segue sensível.
O cenário sugere que, em 2026, empresas devem enfrentar o desafio de equilibrar controle de custos com estratégias de retenção de talentos, especialmente em um mercado no qual profissionais qualificados continuam atentos a oportunidades mais competitivas.