Após quatro anos disputando protagonismo político na cidade de Divinópolis, dois grupos antagônicos medirão forças nas urnas nas eleições municipais de 2024. Um deles é encabeçado pelo atual prefeito, Gleidson Azevedo (Novo) — representante do grupo que tem no seu irmão, o senador Cleitinho (Republicanos), o maior expoente — e, o outro, será representado por Laiz Soares (PSD) — apoiada pela deputada estadual Lohanna França (PV).
No último pleito, em 2020, sob o slogan “Somos nós, ou eles?”, Gleidson foi eleito com 34,30% dos votos, derrotando dois concorrentes diretos: Fabiano Tolentino (Cidadania), que teve 26,14%, e a própria Laiz, à época no Solidariedade, que obteve 19,14%. Tolentino se aproximou do grupo do prefeito e não deve sair candidato novamente. Já Laiz apresentou-se como pré-candidata e diz contar com apoio de caciques do partido, como o presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco.
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Ao longo do último ciclo eleitoral, os dois grupos trocaram acusações e denúncias. Por um lado, o
Por outro lado,
Gleidson: ‘ainda não me coloquei 100%'
Se os dois grupos adversários estão consolidados, o cenário de pré-candidaturas à Prefeitura de Divinópolis, nem tanto. À Itatiaia, Gleidson Azevedo evitou cravar que estará no pleito deste ano e que tem mais dois meses para definir seu futuro político. O prefeito disse dedicar “praticamente 24 horas do dia” para atender moradores e resolver problemas da cidade. Segundo ele, o trabalho à frente da prefeitura, faz com que ele se ausente do ambiente familiar. Gleidson é casado e pai de três filhos, de 11, 16 e 20 anos.
“Eu ainda não me coloquei 100% como pré-candidato à Prefeitura de Divinópolis. Hoje, isso ainda está incerto, porque tenho que conversar muito com a minha família, principalmente, minha esposa e filhos”, afirmou.
‘Família Azevedo': Gleidson conta com apoio do irmão gêmeo, o senador Cleitinho e o outro irmão, deputado estadual Eduardo Azevedo
Gleidson também diz que ataques nas redes sociais e a exposição da vida privada da família também o preocupam. Em entrevista à Itatiaia, o deputado Eduardo Azevedo, irmão de Gleidson, diz que trabalha para convencê-lo a assumir o projeto da pré-candidatura à reeleição.
Se o lançamento ainda é “incerto” segundo o discurso do prefeito de Divinópolis, o “certo” é o apoio de figuras de destaque, sobretudo no campo da direita, ao seu nome. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a senadora Damares Alves (Republicanos), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) e o deputado estadual Bruno Engler — pré-candidato do PL à Prefeitura de Belo Horizonte — já declararam apoio a Gleidson.
Além disso, ele ainda conta com o suporte político dos irmãos, Cleitinho e Eduardo, respectivamente, senador e deputado estadual. Para o prefeito, isso abre portas para a cidade.
“Não é qualquer cidade que tem um prefeito que tem um irmão que é deputado estadual e outro senador, né? O próprio Domingos Sávio [presidente do PL de Minas Gerais], é dos deputados que mais manda recurso para a cidade de Divinópolis. E eu sou do partido Novo junto com o governador Romeu Zema. Então, sim, a cidade e até a região só tem a ganhar com essa quantidade de representação tanto a nível federal quanto estadual”, defende.
Laiz Soares articula chapa ampla para enfrentar atual prefeito
Terceira colocada nas eleições de 2020, Laiz Soares (PSD) tem a pré-candidatura confirmada em oposição à família Azevedo, chamada criticamente pela candidata de “Clã Azevedo”. Em 2022, ela obteve 18.749 votos, número insuficiente para conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Apesar disso, a avaliação sobre as últimas duas eleições é positiva.
Laiz afirma que a sua vida política começou antes dessas duas candidaturas. Além de se envolver em pautas sociais no município de Divinópolis, foi uma das articuladoras da campanha da vitoriosa de Tábata Amaral (PSB-SP) à Câmara dos Deputados e foi chefe de gabinete da parlamentar em Brasília. À Itatiaia, Laiz Soares diz ver semelhanças entre os desafio que ela, nas eleições em Divinópolis, e Tábata, pré-candidata em São Paulo, terão nesta campanha.
Laiz Soares (dir.) é representante do PSD e tem apoio da deputada estadual Lohanna França (PV, esq.)
“A eleição dela demanda um posicionamento mais ao centro e a minha também, porque as pessoas estão muito polarizadas e essa polarização está muito esgarçada. A gente precisa conseguir mostrar para as pessoas, tanto à direita quanto à esquerda moderadas, que é possível pensar soluções e projetos e que é possível dar uma chance para uma mulher que quer fazer acontecer. Então, a gente tem desafios parecidos dadas as proporções de uma capital como São Paulo e uma cidade como Divinópolis”, analisa.
A pessedista conta com o apoio da deputada estadual e ex-vereadora de Divinópolis, Lohanna França (PV) e diz que será apoiada pelo presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (PSD). Para a parlamentar, no entanto, mais que os apoios, o trunfo de Laiz para a disputa são os projetos e um eventual debate com o atual prefeito.
“A gente sabe o tamanho do adversário com quem a gente está lutando, mas nós também temos o nosso tamanho. Acho que a gente já provou por duas vezes que não dá para nos subestimar. Estou muito animada para essa campanha e acho uma oportunidade maravilhosa de a gente expor as nossos opiniões, argumentos e ideia e sei que o Gleidson não ganha da Laiz em um eventual debate”, provoca.
Eleições em Divinópolis: quem apoia quem?
Em uma eventual candidatura à reeleição, o prefeito de Divinópolis Gleidson Azevedo diz contar com o apoio de legendas como Avante, Agir, PP, PL e Republicanos. Do outro lado, Laiz Soares diz contar com a presença do PDT, PRD (partido que nasceu em novembro do ano passado com a fusão do Patriota e o PTB) e espera atrair a Federação PT-PV-PCdoB, que precisam caminhar juntos nas eleições.
“Ainda não há decisão sobre a disputa majoritária. Existem grupos dentro do partido que defendem uma candidatura própria, outros defendem alianças em outros campos políticos. Do que tenho de informação, a Federação teria preferência em construir uma aliança com o PSD, tendo a Laiz como candidata. Ela esteve efetivamente em campanha do presidente Lula no segundo turno e seria o nome mais bem posicionado para um enfrentamento. Ainda não há uma definição, mas há um sentimento majoritário da Federação de entendimento com o PSD”, explica o presidente estadual do PT em Minas Gerais, deputado Cristiano Silveira.
A reportagem apurou, ainda, que outros nomes tentam se viabilizar para entrar na disputa pela Prefeitura de Divinópolis. Um deles é o Galileu Machado, que se filiou recentemente ao PRD, e já ocupou o cargo de Executivo municipal por quatro vezes, sendo a última entre 2017 e 2020, antes de Gleidson Azevedo assumir o posto.