O câncer continua sendo um dos principais desafios da saúde pública no mundo. No Dia Mundial do Câncer, celebrado nesta quarta (4), o tema ganha destaque e reforça a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acesso ao tratamento.
Dados da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), indicam que cerca de 20 milhões de novos casos são registrados anualmente, com aproximadamente 9,7 a 10 milhões de mortes relacionadas à doença.
Apesar dos avanços no tratamento, especialistas alertam que uma parcela expressiva desses casos poderia ser evitada. Um estudo divulgado em 2024 pela Sociedade Americana do Câncer aponta que cerca de 40% dos diagnósticos em pessoas com 30 anos ou mais estão associados a fatores de risco modificáveis.
A pesquisa também indica que quase metade das mortes por câncer está relacionada a hábitos evitáveis, como tabagismo, consumo excessivo de álcool, obesidade, sedentarismo e alimentação inadequada.
Especialistas ressaltam que mudanças no estilo de vida, aliadas à vacinação contra o HPV (papilomavírus humano) e a hepatite B, além da realização de exames preventivos, podem reduzir de forma significativa a incidência da doença.
Crescimento dos casos preocupa especialistas
Segundo a Organização Mundial da Saúde, o número de novos casos de câncer segue em crescimento no Brasil e no mundo. Projeções da entidade indicam um aumento de 77% na incidência global até 2050, em comparação com os dados de 2022.
No Brasil, a estimativa é ainda maior. A OMS prevê um crescimento de 83% no número de casos no mesmo período.
De acordo com a médica oncologista da Hapvida, Abiqueila Silva, o avanço da doença está diretamente ligado a mudanças demográficas e comportamentais. Ela explica que o envelhecimento da população e a maior exposição a fatores de risco modificáveis têm impacto direto nesse cenário.
“O aumento dos casos de câncer está associado principalmente ao envelhecimento da população e à maior exposição a fatores como obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo de álcool e alimentação baseada em ultraprocessados”, afirma.
Esses fatores também ajudam a explicar o aumento de diagnósticos em pessoas cada vez mais jovens. A exposição precoce e prolongada a hábitos não saudáveis tem antecipado o surgimento da doença, o que preocupa especialistas.
Genética representa minoria dos casos
Apesar da percepção comum de que o câncer é, em grande parte, hereditário, a ciência aponta outra realidade. Segundo a oncologista, apenas uma pequena parcela dos casos está relacionada a mutações genéticas herdadas.
Prevenção é estratégia fundamental
Diante do peso dos fatores evitáveis, a prevenção se destaca como uma das principais estratégias no enfrentamento da doença. Medidas simples adotadas no dia a dia podem reduzir significativamente o risco de desenvolvimento de diversos tipos de câncer.
“Parar de fumar, reduzir o consumo de bebidas alcoólicas, usar protetor solar, manter uma alimentação rica em fibras, frutas e vegetais e praticar atividade física regularmente fazem diferença real na prevenção”, orienta a especialista.
Além disso, a realização de exames de rastreamento e o acesso ao diagnóstico precoce são considerados fundamentais para aumentar as chances de cura.
“O câncer não é mais uma sentença de morte. Quando diagnosticado precocemente e tratado de forma adequada, as chances de sucesso são muito maiores”, reforça.
A oncologista destaca que o Dia Mundial do Câncer reforça a importância da informação e da conscientização. Segundo ela, ampliar o debate público contribui para reduzir o estigma, estimular hábitos preventivos e incentivar a busca por diagnóstico precoce.
“Falar sobre câncer salva vidas. Existem estratégias de prevenção, tratamento e, em muitos casos, a doença pode ter um desfecho favorável”, conclui.