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Pedaços da Starship se espalharam por vários quilômetros após explosão

Moradores dos arredores e entidades de conservação estão preocupados com impacto de lançamentos espaciais

Joe Tegtmeyer encontrou um possível detrito da Starship

Joe Tegtmeyer encontrou um possível detrito da Starship

Joe Tegtmeyer/Twitter

Às 10h33 (pelo horário de Brasília) de quinta-feira (20), a Starship foi lançada da base da SpaceX em Boca Chica, no Texas (EUA). Quatro minutos depois, sistemas automáticos iniciaram o procedimento de destruição e o foguete explodiu no ar.

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Enquanto a espaçonave subia, a equipe saía da área de lançamento. E fez isso rapidamente, como havia previsto. Ainda falta, entretanto, limpar a área. Além disso, com a explosão, restos da Starship voaram pelos ares e foram parar a milhas de distância da base da SpaceX.

Em Port Isabel, 6 milhas ao norte, o barulho e os escombros foram classificados como aterrorizantes por moradores ouvidos pelo The New York Times. Alguns informam que janelas foram quebradas e descreveram a atividade como um miniterremoto. Pablo De La Rosa relata que partes do foguete caíram sobre os residentes.

Um post da própria cidade de Port Isabel no Facebook confirma o espalhamento de detritos cobriu carros e casas dos moradores locais. Além disso, informa que o material não representa risco à saúde. “Era, na verdade, areia e poeira levantadas no ar e lançadas a quilômetros em todas as direções pela decolagem do foguete.”

Ainda durante a decolagem, detritos foram lançados no Golfo do México. Eles caíram no mar enquanto o foguete era lançado. Já a explosão foi captada por sistemas de radar doppler.

Possíveis restos do foguete apareceram nas áreas ao redor da área de lançamento. Autoridades locais ordenaram o fechamento temporário de estradas e praias para ajudar nos esforços de limpeza, mas os fragmentos pode chegar a localidades bem distantes. Isso porque a Starship estava bem sobre o Golfo do México e atingiu aproximadamente 40 quilômetros.

Joe Tegtmeyer publicou fotos no Twitter cerca de nove horas depois do lançamento do foguete. Nas imagens, ele segura um objeto preto que pode ser parte de um dos 18 mil escudos térmicos hexagonais que cobriam um lado da espaçonave. Esse componente protegeria a Starship do calor enfrentado na reentrada na Terra se ela não tivesse explodido. “Olha o que encontrei”, diz Tegtmeyer.

A SpaceX informa que os resíduos não devem ser coletados nem manipulados diretamente. A empresa pede que quem os vir, informe-a diretamente pelo telefone 1-866-623-0234 ou pelo e-mail recovery@spacex.com. “Não podemos responder a todas as mensagens recebidas, mas nossas equipes vão entrar em contato se necessário.”

Como o lançamento recebeu licença da Administração Federal de Aviação (FAA), foi realizado com a supervisão dos EUA. O país participa do Tratado do Espaço Sideral, criado em 1967, que indica que componentes de espaçonaves encontrados em qualquer lugar na Terra (ou no espaço) são propriedade do operador de lançamento.

Ou seja, todos os detritos da Starship são da SpaceX, mesmo que tenham sido encontrados em propriedades privadas ou no Golfo do México. Tegtmeyer diz que respeita as regras e que está em contato com a SpaceX e informou a geolocalização de onde encontrou o detrito. “Eles responderam e agradeceram pela informação.”

Proteção da vida selvagem

A base da SpaceX fica em um refúgio nacional de vida selvagem que abriga mais de 2.500 espécies de animais e plantas. Antes do lançamento do foguete, a companhia recebeu um aviso de segurança ambiental de 183 páginas da FAA com mais de 75 medidas a serem tomadas para garantir que a licença para o lançamento seria concedida.

A entidade, então, solicitou mudanças, como a limitação de níveis de ruído e a contratação de biólogos para avaliar os impactos na vida selvagem local. Na semana passada, o órgão aprovou os voos e informou que a empresa havia atendido a todos os requisitos.

Mesmo assim, residentes do sul do Texas se perguntam qual impacto o lançamento da Starship causou nos arredores. Moradores de Rio Grande Valley já tinham se manifestado contrários às atividades da SpaceX na área. Segundo eles, a companhia “destrói reservas de vida selvagem e terras sagradas da tripo Carrizo Comecrudo, bem como ameaçam a comunidade com riscos de explosão”.

A Conservação de Aves Americana (American Bird Conservancy – ABC) já havia alertado que os testes da SpaceX na área de Boca Chica podem prejudicar pássaros ameaçados de extinção. “Do nosso ponto de vista, é uma boa notícia que não tenha explodido no local da plataforma”, diz Michael Parr, da ABC, em entrevista ao Washington Post.

Segundo ele, destroços e incêndios causados pela queda de foguetes podem representar riscos para a vida selvagem na região. Em comunicado da semana passada, a entidade se disse “profundamente preocupada” com os impactos da instalação da SpaceX no habitat da vida selvagem e das espécies que dependem dela. “Gostaríamos de ver tudo bem-sucedido”, afirma Parr, mas acrescenta que gostaria que os lançamentos não ocorressem próximo a uma importante zona úmida.

Já a Rádio Pública do Texas aponta que a presença da SpaceX tem danificado o local em que os pássaros fazem ninhos. As planícies de algas no topo dos pântanos ao redor da Praia de Boca Chica são uma importante fonte de alimento para algumas aves. A emissora citou o biólogo de conservação Justin LeClaire, que diz que ainda há detritos de outro teste da SpaceX.

Apesar disso, Elon Musk não para. Ele diz que a empresa planeja o próximo lançamento de uma Starship totalmente integrada para daqui a um ou dois meses.

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