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Com ajuda de realidade virtual, cirurgiões separam gêmeos siameses

Tecnologia permitiu simular procedimento antes de colocá-lo em prática

Meninos nasceram unidos pelo crânio e pelo cérebro

Além das mãos do neurocirurgião brasileiro Gabriel Mufarrej e do neurocirugião britânico Noor ul Owase Jeelani, as tecnologias de realidade virtual e impressão 3D tiveram destaque em um procedimento de separação de gêmeos craniópagos realizado no Instituto Estadual do Cérebro (IEC) Paulo Niemeyer, no Rio de Janeiro. Os médicos se uniram a engenheiros de realidade virtual para criar o modelo digital da anatomia do cérebro dos meninos.

Arthur e Bernardo, hoje com 3 anos, nasceram com cérebros fundidos. Foram necessárias nove cirurgias para separá-los — as sete primeiras foram para tornar o procedimento final menos arriscado. Com a realidade virtual, foi possível limitar o risco e prever os resultados: durante meses, as equipes do IEC e do Great Ormond Street Hospital, de Londres, testaram técnicas com o apoio de projeções em realidade virtual dos gêmeos criadas com base em tomografia e ressonância magnética.

Esta não é a primeira vez que a realidade virtual é utilizada em uma cirurgia do tipo, mas, pela primeira vez, cirurgiões de diferentes países usaram óculos especiais e se reuniram em um centro cirúrgico virtual para simular o procedimento juntos. "É fantástico poder ver a anatomia e treinar os processos sem ter de colocar as crianças em risco", avalia Jeelani, fundador da Gemini Untwined.

Na vida real, a cirurgia levou 27 horas (divididas em duas partes) e envolveu mais de 100 profissionais de saúde. Para Jeelani, o sucesso do procedimento pode levar a realidade virtual para muitas outras intervenções. "Acredito que esse modelo pode e deve ser replicado para outras condições raras."

Dados da Gemini Untwined indicam que um em cada 60 mil nascimentos resulta em gêmeos siameses. Desses, apenas 5% são craniópagos, ou seja, unidos pela cabeça. A cada ano, 50 duplas dessas nascem no mundo e apenas 15 sobrevivem mais de 30 dias. Com a tecnologia, cerca de metade desses casos deve ser candidata a separação bem-sucedida.

Os pais dos gêmeos, Adriely e Antônio, são de Boa Vista, a capital de Roraima. Eles esperaram quase quatro anos pela cirurgia dos filhos, que estão no IEC desde os oito meses de idade. Todo o tratamento foi pago pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e o hospital foi convidado a ser um parceiro da Fundação Gemini Untwined. A equipe de Mufarrej será referência para futuras cirurgias de separação de gêmeos unidos pela cabeça na América Latina.

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