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Empresários correm contra o tempo nos EUA para frear impacto de novas tarifas

Em primeiro dia de audiências, setor privado foca em brechas técnicas para ampliar exceções; martelo será batido em 15 de julho

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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump • Casa Branca / Divulgação

Representantes do setor produtivo brasileiro e o governo federal buscam reduzir os impactos da possível aplicação de um "tarifaço" de até 25% pelos Estados Unidos sobre exportações brasileiras. A movimentação ocorre em meio a uma audiência pública realizada nesta segunda-feira (6), em Washington, que analisou a investigação comercial aberta pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

O foco do setor privado tem sido ampliar a lista de exceções às tarifas e reforçar argumentos de que a medida também prejudicará empresas e consumidores americanos. A estratégia já foi aplicada no primeiro dia da audiência pública da investigação comercial.

A audiência reuniu cerca de 40 representantes de entidades empresariais brasileiras e americanas, divididos em sete painéis. O encontro servirá de base para a decisão da Casa Branca sobre a aplicação das tarifas de até 25% sobre parte das exportações brasileiras, com a conclusão do processo esperada para 15 de julho.

Durante as discussões, o setor privado argumentou que o "tarifaço" trará efeitos negativos para a economia do país norte-americano, ao elevar o custo de insumos utilizados pela indústria dos Estados Unidos e encarecer produtos para empresas e consumidores.

A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), por exemplo, sustentou que a sobretaxa pode produzir um efeito contrário ao desejado pelo governo de Donald Trump, fortalecendo concorrentes asiáticos, especialmente a China, no mercado brasileiro e reduzindo a influência econômica dos Estados Unidos no Brasil.

Parte do empresariado defende ainda que uma eventual negociação inclua a ampliação do acesso de produtos americanos ao mercado brasileiro e o aprofundamento da cooperação em áreas estratégicas, como minerais críticos. Apesar disso, as tratativas entre Brasília e Washington seguem sem avanços concretos.

A estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que mais de 4 mil produtos exportados pelo Brasil podem ser atingidos pelas novas tarifas, totalizando cerca de US$ 14,9 bilhões em vendas para os Estados Unidos.

O governo brasileiro já respondeu às acusações e sinaliza disposição para discutir medidas adicionais, mas sem abrir mão de temas estratégicos para a soberania nacional, como o Pix. A expectativa, no entanto, é por um retorno formal do governo americano.

A avaliação, até o momento, é de que as chances da Casa Branca desistir da sobretaxação sobre produtos brasileiros são baixas. Na diplomacia e no empresariado, há uma percepção de que o caso brasileiro faz parte de uma estratégia mais ampla de Trump para estimular a reindustrialização dos Estados Unidos, o que reduz as chances de um acordo no curto prazo.

Além da frente diplomática, o Itamaraty acompanha as audiências por meio de observadores.

Nesta terça-feira (7), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, terá cinco minutos para falar no segundo e último dia de audiência. Ele tem se posto contra o tarifaço anunciado pelos Estados Unidos dias após sua visita a Trump.

Já Paulo Figueiredo, aliado de primeira hora de Flávio, desistiu de participar da audiência desta segunda-feira. Ele afirmou que o protagonismo deve ficar com o senador. A postura vem dias após repercussão negativa de declarações machistas.

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