Belo Horizonte
Itatiaia

Tarifaço derruba Bolsa e reforça expectativa de corte de juros, diz Rita Mundim

Rita Mundim afirma que a taxação reduziu o interesse de investidores estrangeiros, elevou o dólar e indica desaceleração da economia brasileira, o que pode abrir espaço para redução da Selic

Por
Itatiaia

A economista Rita Mundim afirmou nesta sexta-feira (17) que o anúncio do tarifaço dos Estados Unidos impactou o mercado financeiro brasileiro, provocando queda da Bolsa de Valores, alta do dólar e redução do interesse de investidores estrangeiros por ativos nacionais.

Segundo a economista, o Ibovespa caiu 1,24% e encerrou o pregão aos 173.800 pontos. "Houve uma perda de interesse do investidor estrangeiro pelos ativos brasileiros. E isso pode ser verificado no volume negociado na B3, que foi de apenas R$ 19 bilhões", afirmou.

Com a redução no volume de negociações, o dólar também avançou. "A moeda americana subiu 0,4% e fechou a R$ 5,09. No pior momento do dia, chegou a R$ 5,11", disse. Ela também destacou a alta dos juros futuros de longo prazo e informou que o contrato com vencimento entre o fim de 2026 e o início de 2027 fechou em 13,87%.

Rita Mundim atribuiu parte desse movimento aos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostraram estabilidade nas vendas do comércio varejista em maio, com alta de apenas 0,1% em relação a abril.

A economista lembrou que, nesta semana, também foram divulgados números do setor de serviços, que registrou retração de 0,4% na mesma base de comparação. Para ela, os indicadores apontam desaceleração da atividade econômica.

"A gente vê que a economia brasileira está desacelerando a partir do início do segundo trimestre, depois de um primeiro trimestre mais forte", afirmou.

Na avaliação de Rita Mundim, esse cenário pode facilitar o trabalho do Banco Central no combate à inflação. "O Banco Central não terá uma missão tão árdua para controlar a inflação e pode até nos surpreender com dois cortes de juros de 0,25 ponto percentual", disse.

Ela acrescentou que o mercado financeiro segue dividido entre duas possibilidades: "O mercado está dividido entre dois cortes de 0,25 ou apenas um corte de 0,25, com a taxa Selic terminando o ano entre 14% ou 13,75%".

Ao comentar as medidas do governo federal em resposta ao tarifaço, Rita Mundim destacou as declarações do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio França, sobre os impactos nas exportações brasileiras.

Segundo ela, o ministro afirmou que apenas 18% das exportações para os Estados Unidos seriam afetadas, o equivalente a US$ 7,4 bilhões, considerando os embarques de 2024. Ainda de acordo com a economista, se forem levados em conta os embarques de 2025, o impacto cairia para US$ 5,8 bilhões, ou 15% das vendas ao mercado norte-americano.

Ela ressaltou, no entanto, que as estimativas divergem das apresentadas pela Amcham e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). "Na conta da Amcham, na conta da CNI, o impacto atinge 26,2% das exportações e, claro, compromete a competitividade da indústria nacional em um dos seus principais mercados", afirmou.

Por fim, Rita Mundim defendeu que a resposta brasileira priorize o diálogo. "Que saia o viés político, que entre a negociação, que não seja retaliação, mas que haja o uso, se houver, da lei de reciprocidade de uma forma cirúrgica, que permita o início de uma negociação", concluiu.

Tarifaço

O governo dos Estados Unidos confirmou, na noite dessa quinta-feira (15), a aplicação de novas tarifas contra produtos brasileiros. O presidente americano, Donald Trump, acatou uma recomendação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) e impôs uma alíquota adicional de 25% sobre uma série de mercadorias. O novo tarifaço advém de uma investigação do órgão estadunidense que ocorria desde que Trump anunciou a primeira sobretaxa sobre o Brasil, de 50%, em julho de 2025.

O USTR determinou que políticas do governo brasileiro sobre comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, processamento de patentes e pirataria, etanol e desmatamento ilegal geram insegurança jurídica e competição desleal aos players dos EUA.

Porém, a SPE (Secretaria de Política Econômica) do Ministério da Fazenda avalia que, caso sejam implementadas, as novas tarifas dos Estados Unidos às exportações brasileiras devem ter impacto "reduzido" na economia brasileira, segundo o boletim macrofiscal divulgado mais cedo nessa quinta.

Por

A Rádio de Minas. Tudo sobre o futebol mineiro, política, economia e informações de todo o Estado. A Itatiaia dá notícia de tudo.