Galípolo diz que Pix é desculpa para tarifa, e uso do cartão de crédito cresceu 150%
Presidente do Banco Central do Brasil afirmou que críticas dos Estados Unidos ao Pix não possuem "fundamento"

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira (16) que os Estados Unidos usam o Pix como uma desculpa para tarifar o Brasil. Em coletiva de imprensa, o gestor explicou que a ferramenta digital lançada em 2020 não teve interferência no uso de cartões de crédito ou débito.
O argumento foi usado na investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), com base na seção 301 da lei geral do comércio. Nesse caso, os norte-americanos afirmaram que o Pix era uma prática de concorrência desleal contra empresas de bandeiras de cartões de crédito
“Os argumentos contra o Pix são o caso mais flagrante de um tipo de desculpa para criar uma “lógica” em uma tarifa que, inicialmente, tinha lógica na balança comercial e depois foi alterada. O Pix cumpre as funções do dinheiro em pagamentos digitais. Uma vez analisado o que aconteceu efetivamente a partir da implementação do Pix, o mercado de cartão de crédito cresceu 150%”, declarou Galípolo.
Ainda de acordo com o presidente do BC, as formas de pagamento que perderam espaço na sociedade foram os cheques e o dinheiro físico, o que é benéfico para diminuir custos de transações.
“A implementação do Pix é benéfico para quem demanda e quem oferta, setor público e privado. Isso é reconhecido internacionalmente, temos manifestações do FMI. O próprio Paul Krugman, economista norte-americano que ganhou o prêmio nobel, disse que o Brasil talvez tenha inventado o futuro do dinheiro”, completou.
Novo tarifaço
Nessa quarta-feira (15), Trump confirmou a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros, após uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) com base na seção 301 identificar uma série de práticas comerciais consideradas prejudiciais aos americanos..
Segundo o USTR, a investigação concluiu que medidas brasileiras em seis áreas restringem os negócios de "agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores" americanos; comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais consideradas desleais; enfraquecimento no combate à corrupção; proteção à propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal.
Além do etanol e do aço, serão afetados pelo novo tarifaço itens como o açúcar orgânico, máquinas agrícolas, papel e vestuário. Como mostrado pela CNN, o USTR também publicou uma extensa lista de itens importantes no setor de exportação brasileiro que estão isentos da nova cobrança como carne bovina, café, petróleo e laranjas.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.
Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.




