Indústria do tabaco estima perda de US$ 100 milhões por tarifas dos EUA
Entidades do setor solicitaram ao governo brasileiro que atue pela inclusão do produto na lista de exceções de sobretaxa imposta pelos norte-americanos

A indústria do tabaco no Brasil projeta uma perda de cerca de US$ 100 milhões em exportações se os Estados Unidos mantiverem o tabaco fora da lista de exceções à tarifa adicional aplicada sobre produtos brasileiros. A avaliação foi apresentada por entidades do setor em carta ao governo brasileiro, solicitando a inclusão do produto na lista de isenção.
A solicitação foi feita pelo Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) e pela Associação Brasileira da Indústria do Fumo (Abifumo) em correspondência encaminhada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MIDC). No documento, as entidades pedem que o governo brasileiro atue para incluir o tabaco na lista de produtos isentos da sobretaxa imposta pelos Estados Unidos.
Historicamente, os Estados Unidos foram o terceiro principal destino das exportações brasileiras de tabaco, sendo responsáveis por cerca de 9% dos embarques do setor. Essa participação, no entanto, caiu para 6% em 2025, após ser submetida às tarifas impostas pelo então presidente americano, Donald Trump.
Dados do MDIC/Secex, citados na carta, mostram que as exportações brasileiras de tabaco para o mercado norte-americano somaram US$ 195,3 milhões em 2025, representando uma queda de 23,4% em relação ao ano anterior (2024). No primeiro semestre de 2026, os embarques totalizaram US$ 88,8 milhões, uma redução de 31% na comparação com o mesmo período de 2025.
SindiTabaco e Abifumo afirmam que, caso a tarifa seja mantida, compradores dos Estados Unidos poderão substituir o produto brasileiro por tabaco de outros países, especialmente de produtores africanos, como Zimbábue e Malaui. As entidades avaliam que a medida poderá reduzir a demanda pela produção nacional, sobretudo do tabaco Burley, variedade que tem nos Estados Unidos um de seus principais mercados.
As entidades também argumentam que outros produtos do agronegócio brasileiro, como carne bovina, café, laranja, mel orgânico, castanhas e celulose, foram incluídos na lista de exceções divulgada pelo governo norte-americano, enquanto o tabaco permanece sujeito à tarifa adicional.
Acompanhe as últimas notícias produzidas pela CNN Brasil, publicadas na Itatiaia.



