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Carteira de crédito do país deve crescer quase 10% em 2026, diz Febraban

Estimativa aponta que saldo anual deve avançar 9,8%, com destaque para o crédito a empresas; ritmo de expansão para pessoas físicas deve desacelerar

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Máquina de cartão crédito e débito
Máquina de cartão crédito e débito • Marcello Casal Jr/Agência Brasi

A carteira total de crédito no País deve registrar uma expansão de 0,8% em junho em comparação com maio, conforme a Pesquisa Especial de Crédito, divulgada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) nesta segunda-feira (27). A projeção indica que o saldo anual atingiria um avanço de 9,8%, acelerando em relação aos 9,5% do mês anterior, impulsionado pela dinâmica forte de programas garantidos pelo governo.

O levantamento mensal da Febraban é compilado com dados consolidados das principais instituições financeiras do Brasil, servindo como prévia da Nota de Crédito do Banco Central, cuja divulgação está prevista para 30 de julho.

A expectativa é que o crescimento seja puxado, principalmente, pelo crédito à pessoa jurídica. Segundo a sondagem, a carteira destinada às empresas deve ter alta de 1,5% no mês, com aceleração em 12 meses de 6,8% para 7,7%.

A carteira com recursos livres seria o destaque, com avanço mensal de 1,7%, impulsionada por um efeito sazonal positivo de fim de trimestre nas linhas de recebíveis.

No acumulado de 12 meses, a pesquisa aponta aumento de 1,9% na carteira livre PJ em junho, após a estabilidade observada no exercício anterior.

Esse movimento é impulsionado por uma base de comparação fraca, já que a alíquota de IOF foi majorada em junho de 2025, o que penalizou, especialmente, a linha de desconto de recebíveis. A medida foi, posteriormente, revertida.

Ainda nas empresas, o saldo da carteira com recursos direcionados teria ganho mensal de 1,2%, após novos aportes ao Programa Emergencial de Acesso a Crédito com garantia do FGI (Fundo Garantidor de Investimentos), conhecido como FGI-Peac. Com isso, a alta anual seguiria sendo a mais forte entre as aberturas, apesar de uma leve desaceleração, passando de 18,2% para 17,4%.

Pessoa Física

Nas linhas de pessoa física (PF), a carteira destinada às famílias deve avançar 0,4% em junho, em comparação com maio, conforme o estudo. Assim, o ritmo de aumento em 12 meses perderia força, de 11,2% para 11%.

A carteira PF com recursos direcionados deve ter avançado 0,7%, em meio ao bom desempenho do setor imobiliário, após novas regras do programa Minha Casa, Minha Vida. Os recursos livres, por outro lado, devem ter elevação mais tímida, de 0,2%, com potencial efeito do Novo Desenrola, que ajuda a moderar as linhas mais arriscadas.

No comparativo anual, a pesquisa indica avanço de 11,3% na carteira PF livre em junho (após alta de 11,7% em maio) e de 10,7% na direcionada (ante 10,5%).

Para o diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban, Rubens Sardenberg, os dados mostram que o crédito segue com um bom ritmo de expansão, principalmente entre as empresas.

"Nas famílias, o ritmo permanece consistente no nível de dois dígitos, com destaque recente para o imobiliário, enquanto as linhas de maior risco mostram certa acomodação na margem", diz Sardenberg.

*André Marinho, do Estadão Conteúdo

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