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China critica EUA por tarifa e diz que americanos 'manipulam' a pauta do trabalho forçado

Pequim afirmou que vai buscar o diálogo com a Casa Branca, mas advertiu que pode tomar medidas contra a nova taxa de 12,5%

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O presidente da China, Xi Jinping, com o Donald Trump em maio
O presidente da China, Xi Jinping, com o Donald Trump em maio • EVAN VUCCI / POOL / AFP

O Ministério do Comércio da China criticou, nesta segunda-feira (27), as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos chineses com base em uma investigação que apurou o uso de trabalho forçado nas importações do país. A pasta afirmou que tomará as medidas necessárias para proteger os seus interesses e afirmou que os americanos “manipulam” a pauta trabalhista.

Pequim classificou as tarifas como uma “campanha de difamação” e ainda pediu para que a Casa Branca “corrija essa prática equivocada”. “Os Estados Unidos voltaram a iniciar uma investigação com base na Seção 301 e impôs tarifas unilaterais sob o pretexto de 'trabalho forçado', o que constitui um ato típico de unilateralismo e protecionismo, ao qual a China se opõe firmemente”, disse o ministério.

No final da última semana, os EUA concluíram uma investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio e impuseram tarifas de 10% a 12,5% sobre produtos de 60 países. A China, assim como o Brasil, foi sobretaxada no maior valor sob a alegação de que o país não tomou medidas para coibir a importação de produtos feitos com “trabalho forçado”.

"A China se opôs ao trabalho forçado e estabeleceu um sistema de leis e regulamentos trabalhistas para prevenir e combater de forma resoluta as práticas de trabalho forçado. Em contraste, os Estados Unidos não apenas deixaram de ratificar a Convenção sobre Trabalho Forçado de 1930, como também manipulam a questão do trabalho forçado”, afirma o ministério.

No comunicado, o ministério afirmou que a China está disposta a dialogar com os EUA com base no respeito mútuo entre os dois países, mas afirmou que pode tomar todas as medidas necessárias enquanto avalia as ações dos EUA.

Brasil teve o maior aumento de tarifas

Um estudo da Global Trade Alert, plataforma independente que monitora o comércio internacional desde 2009, revela que o Brasil teve o maior aumento médio de tarifas na balança comercial com os Estados Unidos na última semana. No geral, a pesquisa mostra que a alíquota global média dos americanos não teve alteração, saindo de 11,0% em 21 de julho para 11,2% nessa quinta-feira (24).

No primeiro marco da pesquisa, os produtos brasileiros estavam sujeitos a tarifas efetivas de 11%. Após o anúncio de uma sobretaxa de 12,5% em razão da investigação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) sobre o trabalho forçado na pauta de importação de 60 países, a tarifa efetiva para o Brasil subiu para 17,7%.

O país está empatado com a Turquia, que viu sua alíquota efetiva sair de 16,2% no dia 21 de julho, para 17,7% no dia 24. Somente a China, principal concorrente dos Estados Unidos no comércio internacional, tem tarifas efetivas maiores, que passaram de 25,9% para 27,2%.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

 

 

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