Setor de serviços registra queda em novembro após nove meses de alta, diz IBGE

Mesmo com recuo, setor acumula ganhos em 2025 e demonstra resiliência frente a um cenário econômico adverso com juros altos

Queda foi impulsionada pelo recuo do transporte aéreo (2,7%)

O volume de serviços no Brasil caiu 0,1% em novembro de 2025, na comparação mês a mês com outubro, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (13). O resultado interrompe uma sequência de nove meses de resultados positivos, período em que o setor acumulou um ganho de 3,8%.

Apesar da queda, a avaliação é de que os serviços seguem com um volume robusto frente a uma economia que enfrenta uma taxa básica de juros elevada a 15% ao ano. Prova disso é que o setor segue 20% acima do nível pré-pandemia (fevereiro de 2020). Em relação a novembro de 2024, o setor cresceu 2,5%, enquanto nos últimos 12 meses o crescimento foi de 2,7%.

“O resultado reflete uma certa manutenção do setor de serviços em patamares elevados, já que no mês anterior o setor havia alcançado o topo da sua série histórica, iniciada em janeiro de 2011. Para o mês de novembro, há um equilíbrio entre taxas negativas e positivas. O destaque no campo negativo fica no setor de transportes, pressionado pelo transporte aéreo”, disse o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo.

Duas das cinco atividades de serviços pesquisadas mostraram queda frente ao mês anterior. O segmento dos transportes teve um recuo de 1,4%, com uma queda de 2,7% no transporte aéreo, e 3,8% no transporte aquaviário. O segunda atividade com queda foi a informação e comunicação (-0,7%), com um recuo de 4,6% nos serviços audiovisuais e 1,5% na tecnologia da informação.

Leia também

Segundo o economista sênior do banco Inter, André Valério, o resultado reafirma a tendência de desaceleração da economia brasileira em meio às condições financeiras adversas. Porém, o especialista ressalta a robustez do setor com uma inflação ainda pressionada.

“Ainda vemos a inflação do setor pressionada, tendo encerrado 2025 com alta de quase 6%, bem distante da meta de 3%. Com isso, apesar dos sinais de desaceleração, a dinâmica ainda deve manter o banco central cauteloso na reunião de janeiro, adiando o corte para a reunião de março”, disse.

Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

Ouvindo...