Minha Casa, Minha Vida vive melhor momento dos últimos anos, diz diretor da MRV

Redução de juros, aumento de subsídios, novos tetos e criação da Faixa 4 ampliam acesso ao financiamento e fortalecem previsibilidade do setor para 2026

Mudanças recentes no Minha Casa, Minha Vida aumentaram o número de imóveis elegíveis e devem fortalecer o setor em 2026

O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) atravessa um período considerado especialmente favorável para a habitação econômica no Brasil, impulsionado por um conjunto de mudanças recentes que ampliaram o acesso das famílias ao crédito e tornaram mais viável a compra do imóvel financiado.

Segundo Edmil Adib Antonio, diretor de Crédito Imobiliário e Relações Institucionais com Bancos da MRV, a combinação de medidas adotadas nos últimos anos — e reforçadas recentemente — criou um cenário que pode ser considerado o melhor dos últimos tempos para o setor.

Leia também

“Algumas dessas mudanças vêm ao longo dos últimos anos, mas o conjunto delas, hoje em dia, sem dúvidas traz o melhor momento para a habitação econômica”, afirma.

Entre os principais fatores citados pelo executivo estão o aumento do teto dos imóveis, a redução das taxas de juros, o reforço de subsídios em determinadas regiões, a possibilidade de uso de FGTS futuro, a criação da Faixa 4, a possibilidade de compra no Faixa 3 por clientes do Faixa 2, além do aumento do prazo máximo de financiamento.

Juros menores, subsídios maiores e tetos ampliados: impacto imediato na base

Para as famílias das faixas 1 e 2, que concentram grande parte da demanda por habitação popular, Edmil explica que não há uma medida isolada capaz de destravar o mercado. Para ele, o que gera efeito imediato é a soma dos incentivos.

“Para as faixas 1 e 2, os três itens são fundamentais, mas a combinação deles é que produz os maiores efeitos”, diz.

Na prática, a redução dos juros aumenta a capacidade de financiamento das famílias. Quando isso ocorre em paralelo ao incremento do subsídio, o poder de compra cresce e mais pessoas conseguem se enquadrar nas regras do programa. O aumento dos tetos de financiamento, por sua vez, amplia o número de imóveis que entram no limite permitido pelo MCMV, tornando o efeito mais perceptível no curto prazo.

Mais unidades elegíveis e ampliação do público comprador

Do ponto de vista das construtoras, as mudanças ampliam o chamado “estoque elegível” — ou seja, a quantidade de unidades que se enquadram nas regras do programa e podem ser adquiridas com as condições do MCMV.

Edmil explica que o aumento do teto em diferentes municípios, somado à maior capacidade de compra do consumidor, amplia diretamente o universo de imóveis acessíveis dentro do programa.

“Se temos aumento do teto em vários municípios e maior capacidade de compra pelos clientes, um número maior de unidades torna-se mais acessível”, afirma.

Para empresas como a MRV, isso tende a se refletir em um ambiente mais favorável para lançamentos e vendas, ao reduzir gargalos que antes impediam parte do público de avançar na compra.

FGTS segue como pilar da habitação popular

Outro elemento central apontado pelo executivo é o papel do FGTS como fonte de recursos para financiar a habitação econômica no país.

“O FGTS é um funding essencial para a Habitação Popular”, diz Edmil.

De acordo com ele, o fundo é hoje o principal mecanismo capaz de sustentar a demanda do setor e atender uma grande parcela da população com perfil aderente às regras do programa. “Hoje, o único capaz de fazer frente à demanda por Habitação e pode atender a praticamente 90% dos fundistas”, afirma.

Na avaliação do diretor da MRV, o orçamento atual também contribui para trazer previsibilidade ao mercado imobiliário, especialmente olhando para 2026, ano em que o setor deve colher os efeitos do redesenho do programa.

O que esperar de 2026

A expectativa da MRV é que o cenário mais favorável do Minha Casa, Minha Vida resulte em ganhos operacionais e também em impacto social mais expressivo.

Para Edmil, o novo desenho do programa tem potencial para ampliar o alcance do financiamento habitacional e atender melhor uma demanda que continua alta no país.

“Esse conjunto de fatores extremamente favoráveis propiciará um melhor desempenho geral, quer do ponto de vista financeiro quanto para o impacto social”, afirma.

O executivo destaca que o programa deve atingir “mais e melhor” a demanda qualificada, reforçando a importância da moradia como símbolo de cidadania e conquista para as famílias brasileiras.

Erem Carla é jornalista com formação na Faculdade Dois de Julho, em Salvador. Ao longo da carreira, acumulou passagens por portais como Terra, Yahoo e Estadão. Tem experiência em coberturas de grandes eventos e passagens por diversas editorias, como entretenimento, saúde e política. Também trabalhou com assessoria de imprensa parlamentar e de órgãos de Saúde e Justiça. *Na Itatiaia, colabora com a editoria de Indústria e de GEO.

Ouvindo...