O sétimo episódio do Itatiaia Negócios Cast recebe Geraldo Campos, presidente do Mercado Central de Belo Horizonte, para uma conversa que mistura história, gestão e identidade urbana. Mais do que um ponto turístico, o Mercado Central é apresentado como um negócio vivo, que atravessa gerações e segue relevante mesmo diante das mudanças no consumo, no varejo e na forma como as pessoas se relacionam com a cidade.
Com ligação familiar direta ao Mercado Central desde a infância, Geraldo representa a quarta geração de sua família no espaço. Segundo ele, o mercado sempre foi feito de uma mistura única de histórias antigas e novas iniciativas.
“Tem gente lá desde 1936, como a limonada famosa, e tem negócios que chegaram há poucos anos e já viraram sucesso. Essa mistura é o que constrói o ambiente do mercado”, afirmou.
Durante a entrevista conduzida por Leonardo Bortoletto, Geraldo resgata a origem do Mercado Central, que remonta ao início do século XX. O primeiro mercado municipal funcionava onde hoje está a Rodoviária de Belo Horizonte, inaugurado em 1900, apenas três anos após a fundação da cidade. Em 1929, o mercado foi transferido para o local atual, no antigo campo do América Futebol Clube.
Em 1964, o espaço foi privatizado e passou a se chamar Mercado Central de Belo Horizonte, deixando de ser municipal. Desde então, funciona como uma associação privada formada por quase 600 associados e cerca de 400 lojas.
Ao longo das décadas, o mercado precisou se reinventar. De grande centro atacadista de hortifrutigranjeiros, passou a diversificar seu mix de produtos e serviços com o surgimento dos supermercados, da Ceasa e, mais recentemente, do comércio digital.
“Hoje o nosso maior ativo é a experiência. Você pode comprar comida pela internet, mas não vive a experiência de andar pelo mercado, conversar, experimentar, trocar receita”, explicou.
Geraldo destacou que o Mercado Central soube acompanhar a mudança no perfil do consumidor. O crescimento de bares, restaurantes, alimentação pronta, artesanato, suplementação alimentar e turismo transformou o espaço em um ponto de encontro da cidade.
“O mercado é centro de abastecimento, ponto turístico e lugar de convivência. As pessoas se sentem donas daqui”, disse.
A governança também foi tema central da conversa. O presidente explicou que todas as decisões são colegiadas, com um conselho de administração formado por 31 integrantes eleitos entre os associados. Além disso, o Mercado Central possui conselho fiscal, auditoria permanente e balanços auditados e publicados.
“Somos uma associação privada, com boas práticas de gestão, transparência e responsabilidade. Prestamos contas para centenas de associados”, afirmou.
Na Pergunta de Ouro da audiência, Geraldo foi direto ao responder se o Mercado Central corre o risco de se tornar um espaço elitizado.
“O mercado vai continuar sendo do povo. É o lugar mais democrático da cidade. Aqui se encontra juiz, empresário, trabalhador, todo mundo junto”, declarou.
Já no quadro Responde Aí, Chefe!, ele respondeu à pergunta de Régis Guimarães Campos, diretor-presidente da Emccamp, sobre os desafios do setor. Para Geraldo, o principal desafio é vencer a modernidade sem perder a tradição.
“O desafio é se adaptar à velocidade das mudanças do mundo atual sem abrir mão da essência que construiu o mercado”, resumiu.
Encerrando o episódio, Geraldo deixou dois conselhos para quem lidera negócios tradicionais em tempos de transformação: ouvir mais do que falar e nunca perder de vista que o cliente é a razão de existir de qualquer empreendimento.
O episódio reforça o papel do Itatiaia Negócios Cast como espaço de reflexão sobre negócios que fazem parte da vida real das pessoas, conectando economia, cultura e decisões que impactam diretamente a cidade.
O Itatiaia Negócios Cast vai ao ar todas as terças-feiras, às 18h, no YouTube da Itatiaia e nas principais plataformas de áudio.
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