Sistemas ciberfísicos prometem modernizar fábricas no Brasil

Especialista detalha como integração entre mundos físico e digital reduz custos e evita desperdício de insumos

Sistemas ciberfísicos são a base da chamada Indústria 4.0

A indústria brasileira vive uma transformação com a chegada dos chamados sistemas ciberfísicos, tecnologia que promove a integração direta entre o chão de fábrica (máquinas, sensores e robôs) e o ambiente digital.

O analista de tecnologia Cayo Fábio de Almeida Sousa explica que, sob esse conceito, o equipamento deixa de apenas executar tarefas para coletar e interpretar dados em tempo real. Sousa afirmou à Itatiaia que essa transição permite um monitoramento contínuo e a tomada de decisões baseadas em evidências técnicas, e não apenas em intuição.

Máquinas que ‘interpretam’ o processo produtivo

Diferente da automação tradicional, que opera sob comandos rígidos e sem análise de contexto, a versão avançada permite que a máquina compreenda as variáveis da produção. Cayo Sousa destaca que essa capacidade de interpretação utiliza informações de sensores, sistemas de visão e dados históricos.

“Com isso, ela consegue identificar desvios, adaptar trajetórias e até interromper uma operação se algo estiver fora do esperado”, afirma o analista. Ele reforça que o sistema não possui consciência, mas sim uma “inteligência operacional” voltada à máxima eficiência do processo.

Digitalização auxilia na redução de custos e insumos

Embora muitos empresários foquem apenas na velocidade da produção, Sousa ressalta que a digitalização é fundamental para evitar erros. De acordo com o especialista, o uso de dados em tempo real permite identificar falhas antes que elas gerem refugos, retrabalhos ou paradas não planejadas.

Além de reduzir falhas humanas, Cayo Sousa aponta que o uso dessas tecnologias garante a repetibilidade e a padronização. Como resultado, a produção torna-se mais previsível, com maior qualidade e custos operacionais significativamente menores ao longo do tempo.

Gêmeo Digital atua como simulador industrial

Um dos conceitos centrais da modernização é o Gêmeo Digital, uma representação virtual fiel do sistema físico. Sousa compara a tecnologia a um simulador: o sistema permite testar estratégias de controle, validar layouts e antecipar problemas antes da implementação real. Segundo o especialista, a ferramenta elimina riscos operacionais importantes, como:

  • Colisões e falhas de lógica entre equipamentos;
  • Sobrecargas mecânicas e erros de integração;
  • Custos elevados de comissionamento e tempo de parada da planta.
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O impacto do 5G nas fábricas inteligentes

No ambiente industrial, a tecnologia de quinta geração (5G) oferece baixa latência e alta confiabilidade para o fluxo de dados. Cayo Sousa afirma que ela é um habilitador essencial para a comunicação em tempo real entre máquinas, robôs móveis e sistemas de supervisão, garantindo segurança em aplicações críticas.

Os sistemas ciberfísicos são a base da chamada Indústria 4.0. Ao contrário da automação simples, que busca apenas substituir o esforço humano por máquinas, esta fase foca na conectividade e na troca de dados entre todos os elementos da produção. O objetivo para pequenas e médias indústrias é aumentar a competitividade, utilizando simuladores e conectividade de ponta para reduzir desperdícios.

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Amanda Alves é graduada, especialista e mestre em artes visuais pela UEMG e atua como consultora na área. Atualmente, cursa Jornalismo e escreve sobre Cultura e Indústria no portal da Itatiaia. Apaixonada por cultura pop, fotografia e cinema, Amanda é mãe do Joaquim.

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