Indústria fecha 2025 com alta na confiança; veja fatores que influenciaram resultado

Após um ano de pessimismo, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) subiu 3,8 pontos em dezembro, impulsionado por 13 dos 19 segmentos pesquisados pelo FGV IBRE

Melhora na demanda em dezembro eleva otimismo de empresários para o novo ano

O encerramento de 2025 desenha um cenário de “ajuste de contas” para a indústria brasileira. Após meses caminhando em terreno pantanoso, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) registrou uma alta de 3,8 pontos em dezembro, atingindo a marca de 92,9 pontos. Para o pequeno e médio industrial (que sente o peso das incertezas econômicas de forma mais imediata no fluxo de caixa), o número funciona como um bálsamo, embora o mercado recomende cautela antes de decretar o fim da crise.

O movimento de subida foi percebido na maioria das frentes: 13 dos 19 segmentos pesquisados apresentaram melhora. De acordo com o relatório Sondagem da Indústria de dezembro de 2025, publicado pelo FGV IBRE (Instituto Brasileiro de Economia, unidade da Fundação Getulio Vargas), o resultado atual reflete uma característica de compensação. O material assinala que a confiança recuperou parte do terreno perdido ao longo do ano e que, embora o pessimismo ainda não tenha sido totalmente dissipado, as empresas já sinalizam um ajuste nos estoques diante de uma melhora pontual na demanda.

O desafio da prateleira cheia e o horizonte da produção

Para quem comanda uma fábrica de menor porte, o controle de estoque é, muitas vezes, o termômetro da sobrevivência. Os dados da FGV IBRE mostram que o indicador de nível de estoques recuou 2,5 pontos, situando-se em 109,1 pontos. Na linguagem técnica da sondagem, quando este valor supera os 100 pontos, significa que as indústrias ainda operam com mercadoria excessiva ou acima do desejável.

Apesar disso, o Índice de Expectativas (IE), que olha para o que vem pela frente, saltou 4,6 pontos, chegando a 93,4. O destaque absoluto foi a produção prevista para os próximos meses, que disparou 12,2 pontos. Esse otimismo renovado sugere que, para o início de 2026, a indústria planeja ligar as máquinas com mais intensidade.

Raio-X da retomada industrial em dezembro

  • Índice de confiança (ICI): alta de 3,8 pontos (92,9 totais)
  • Situação atual (ISA): subiu 2,8 pontos, para 92,4
  • Expectativas (IE): avanço de 4,6 pontos, chegando a 93,4
  • Demanda: melhora de 3,1 pontos no nível atual
Leia também

Cenário macroeconômico exige atenção

Embora os ponteiros tenham subido, o ambiente para o empreendedor segue desafiador. O relatório técnico aponta que o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) manteve-se estável em 79,6%, o que representa um dos patamares mais baixos desde abril de 2021.

Além disso, a política monetária brasileira continua em terreno contracionista, o que encarece o crédito para investimentos em maquinário e expansão. A sinalização de uma desaceleração da atividade econômica no horizonte macroeconômico, reforçada pela análise do FGV IBRE, indica que a alta de dezembro deve ser lida como um passo de reconstrução, e não como uma euforia desmedida.

A próxima divulgação da Sondagem da Indústria está marcada para o dia 29 de janeiro de 2026. Até lá, o setor industrial monitora se esse suspiro de fim de ano se transformará em fôlego real para o novo ciclo.

Amanda Alves é graduada, especialista e mestre em artes visuais pela UEMG e atua como consultora na área. Atualmente, cursa Jornalismo e escreve sobre Cultura e Indústria no portal da Itatiaia. Apaixonada por cultura pop, fotografia e cinema, Amanda é mãe do Joaquim.

Ouvindo...