O encerramento de 2025 desenha um cenário de “ajuste de contas” para a indústria brasileira. Após meses caminhando em terreno pantanoso, o
O movimento de subida foi percebido na maioria das frentes: 13 dos 19 segmentos pesquisados apresentaram melhora. De acordo com o relatório Sondagem da Indústria de dezembro de 2025, publicado pelo FGV IBRE (Instituto Brasileiro de Economia, unidade da Fundação Getulio Vargas), o resultado atual reflete uma característica de compensação. O material assinala que a confiança recuperou parte do terreno perdido ao longo do ano e que, embora o pessimismo ainda não tenha sido totalmente dissipado, as empresas já sinalizam um ajuste nos estoques diante de uma melhora pontual na demanda.
O desafio da prateleira cheia e o horizonte da produção
Para quem comanda uma fábrica de menor porte, o controle de estoque é, muitas vezes, o termômetro da sobrevivência. Os dados da FGV IBRE mostram que o indicador de nível de estoques recuou 2,5 pontos, situando-se em 109,1 pontos. Na linguagem técnica da sondagem, quando este valor supera os 100 pontos, significa que as indústrias ainda operam com mercadoria excessiva ou acima do desejável.
Apesar disso, o Índice de Expectativas (IE), que olha para o que vem pela frente, saltou 4,6 pontos, chegando a 93,4. O destaque absoluto foi a produção prevista para os próximos meses, que disparou 12,2 pontos. Esse otimismo renovado sugere que, para o início de 2026, a indústria planeja ligar as máquinas com mais intensidade.
Raio-X da retomada industrial em dezembro
- Índice de confiança (ICI): alta de 3,8 pontos (92,9 totais)
- Situação atual (ISA): subiu 2,8 pontos, para 92,4
- Expectativas (IE): avanço de 4,6 pontos, chegando a 93,4
- Demanda: melhora de 3,1 pontos no nível atual
Cenário macroeconômico exige atenção
Embora os ponteiros tenham subido, o ambiente para o empreendedor segue desafiador. O relatório técnico aponta que o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) manteve-se estável em 79,6%, o que representa um dos patamares mais baixos desde abril de 2021.
Além disso, a política monetária brasileira continua em terreno contracionista, o que encarece o crédito para investimentos em maquinário e expansão. A sinalização de uma desaceleração da atividade econômica no horizonte macroeconômico, reforçada pela análise do FGV IBRE, indica que a alta de dezembro deve ser lida como um passo de reconstrução, e não como uma euforia desmedida.
A próxima divulgação da Sondagem da Indústria está marcada para o dia 29 de janeiro de 2026. Até lá, o setor industrial monitora se esse suspiro de fim de ano se transformará em fôlego real para o novo ciclo.