Governo nega reduzir imposto do etanol em negociação com os EUA
Ministro Marcio Elias afirma que Lula determinou que o tema não seja tratado isoladamente, sem discussão sobre a sobretaxa do açúcar

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Marcio Elias, negou que a redução do imposto sobre o etanol vindo dos Estados Unidos esteja em negociação como parte das discussões sobre as tarifas de 25% recomendadas pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) a produtos brasileiros.
A proposta de zerar tarifas reciprocamente sobre o etanol e o açúcar foi levantada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), em um documento enviado ao governo americano, e jornalistas questionaram o ministro sobre a possibilidade.
Elias reiterou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou que o tema do etanol não seja tratado isoladamente nessa negociação. Para o governo brasileiro, qualquer discussão sobre o assunto deve incluir a questão do açúcar, que é sobretaxado nos Estados Unidos.
Marcio Elias justificou a posição, afirmando: "Esse é um setor muito importante, sobretudo no Nordeste do país. A produção de etanol e, eventualmente, a abertura do mercado para o etanol norte-americano colocaria em risco, sobretudo, a produção do etanol no Nordeste do país. Em relação ao açúcar, ele sofre uma sobretaxa nos Estados Unidos de quase 100%. Então, nós não podemos dissociar uma cadeia com uma discussão da outra, porque todos são ligados à mesma cadeia produtiva."
No documento que recomendou a imposição das tarifas propostas, o USTR mencionou o fim da cooperação bilateral entre os dois países no mercado de etanol como um dos motivos.
Desde 2023, o Brasil deixou de adotar um tratamento tarifário recíproco e passou a cobrar uma tarifa de 18% sobre as importações de etanol provenientes dos Estados Unidos.
O acordo de cooperação estava em vigor desde 2010. Após a retirada do Brasil dessa política recíproca, as exportações americanas de etanol para o país registraram uma queda de 87% em valor, na comparação com o pico alcançado em 2018.
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