Coca-Cola, Tesla e eBay pedem que EUA recuem de tarifas contra o Brasil
Gigantes americanas enviaram cartas ao USTR pedindo a revisão das tarifas de 25% impostas sobre produtos brasileiros

Grandes empresas dos Estados Unidos, como a Coca-Cola, a Tesla e o eBay, enviaram cartas ao escritório de representação comercial (USTR) pedindo que os produtos importados do Brasil não sejam taxados em 25% com base na investigação da seção 301 da lei geral do comércio. O grupo alerta para impactos negativos na competitividade e nas cadeias de suprimentos, com reflexo para os consumidores.
A Coca-Cola, por exemplo, pediu ao USTR que mantenha a isenção proposta para insumos de laranja originários do Brasil e que adicione um regime de transição para limão brasileiro usado em suas bebidas. A empresa argumenta que, sem a importação do Brasil, a indústria terá que buscar novos fornecedores.
A gigante da indústria de bebida ainda argumenta que a produção de insumos críticos pelos produtores locais tem tido safras prejudicadas por efeitos climáticos. “Dessa forma, não se pode presumir que a produção doméstica seja capaz de substituir o fornecimento qualificado proveniente do Brasil”, disse.
Já a Tesla, montadora de veículos do trilionário Elon Musk, disse que apoia medidas de reindustrialização americana no longo prazo, mas alertou que a transição levará tempo. A empresa também afirma que alguns insumos não podem ser obtidos nos Estados Unidos em escala suficiente.
A montadora sugeriu que o USTR considere os impactos sobre os fabricantes americanos e exclua os insumos provenientes do Brasil. "Uma medida tarifária que deixe de considerar o ritmo da diversificação das cadeias de suprimento - ou que imponha restrições mais rapidamente do que as alternativas domésticas consigam expandir sua capacidade de forma realista - corre o risco de causar impactos significativos para a indústria e os consumidores dos Estados Unidos", afirma a Tesla.
O eBay sugeriu que a proposta fosse modificada para isentar produtos de “segunda mão, usados e seminovos”. A empresa argumenta que a tarifa não pune os fabricantes investigados, uma vez que o produto já foi comprado, utilizado e revendido por diversos proprietários ao longo de vários anos. "A tarifa penaliza a revenda do bem, e não sua produção”, destaca.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



