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Bolsa sobe, e dólar cai com foco na inflação e dados de emprego nos EUA

Dados importantes contribuíram para a valorização de ativos brasileiros no fechamento desta sexta-feira (9)

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A Petrobras, com ganhos de 4,89% na ON e de 4,36% na PN, contribuiu decisivamente  • Divulgação/B3

O Índice Bovespa (Ibovespa) fechou a sexta-feira (9) em alta, com um avanço de 0,35% aos 163,511.27 pontos. O bom resultado da bolsa brasileira se dá com a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mostrando uma inflação em 4,26% dentro do teto da meta de 3%, considerando o intervalo de 1,5 ponto percentual, pela primeira vez no governo Lula (PT).

Segundo o IBGE, o IPCA acelerou 0,33% em dezembro, ante um crescimento de 0,18% em novembro, mas abaixo da taxa registrada em dezembro de 2024 (0,52%). Esse foi o menor resultado para o mês de dezembro desde 2018, quando na ocasião o índice registrou uma leve alta de 0,15%.

O resultado foi influenciado principalmente pelo grupo habitação, que acelerou de 3,06% em 2024, para 6,79%, registrando um impacto de 1,02 p.p na inflação acumulada do ano. Na sequência, as maiores variações vieram de Educação (6,22% e 0,37 p.p.), Despesas pessoais (5,87% e 0,60 p.p.) e Saúde e cuidados pessoais (5,59% e 0,75 p.p.). Os quatro grupos respondem por 64% do resultado do ano.

De acordo com o economista sênior do Inter, André Valério, o resultado é influenciado pela apreciação de 11% do real, que contribuiu para manter a inflação de bens livres e bens industriais acomodadas, encerrando 2025 com alta acumulada de 3,92% e 2,39%, respectivamente, contra 4,89% e 2,87% em 2024.

“Para 2026, esperamos que a tendência de acomodação da inflação continue refletindo os efeitos defasados da política monetária e um dólar ainda depreciado, apesar de vermos pouco espaço para novas apreciações do real. Assim, esperamos que o IPCA encerre 2026 com alta acumulada de 3,90%”, completou.

Segundo Valério, a leitura pode fazer com que o Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos, adie a decisão de um novo corte de juros na reunião de janeiro, esperando novos dados para uma maior segurança nos próximos passos.

“Ainda assim, a próxima leitura de inflação poderá alterar esse cenário, mas dada a predileção do Fed pelo mandato de emprego e as afirmações recentes de membros do comitê de que a taxa de juros está muito próxima da neutra, esperamos que o Fed não corte na reunião de janeiro”, disse.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.