Mudança na jornada de trabalho será 'avassaladora' para shoppings, diz Abrasce
Perdas estimadas em R$ 15 bilhões no primeiro ano podem causar demissões e migração para a informalidade, alerta presidente da associação, Glauco Humai

A Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) e seu presidente, Glauco Humai, alertaram nesta sexta-feira (26) para o impacto "avassalador" do fim da escala de trabalho 6x1 no setor de shoppings e varejo, com projeções de perdas de R$ 15 bilhões no primeiro ano.
O posicionamento foi dado durante um evento em São Paulo, diante da tramitação da proposta de emenda à Constituição (PEC) no Congresso Nacional. As perdas estimadas pela associação estão na casa dos R$ 15 bilhões já no primeiro ano de vigência, caso a proposta entre em vigor.
Humai projeta um cenário de demissões, fechamento de negócios e "centenas de milhares de pessoas migrando para a informalidade". Segundo o executivo, como o segmento depende de mão de obra intensiva, a mudança forçará as empresas a repensarem completamente o atual modelo de operação dos empreendimentos, o que afetará diretamente os custos trabalhistas e o ritmo de contratações.
A crítica da entidade se concentra no rito político e na velocidade da tramitação em Brasília. "Nós não necessariamente discordamos do fato da alteração da escala 6x1, é uma evolução necessária que tem que ser discutida, mas no momento adequado e na forma adequada", pondera Humai.
"Questionamos hoje muito mais a forma como está sendo implementada, sem discussão, sem estudo, sem tempo, em ano eleitoral. Ou seja, a forma está muito complexa. O mérito a gente discute num segundo momento", emendou.
Custo adicional
Estudos econômicos do setor mostram que o impacto para o ecossistema de shoppings e do varejo pode ser ainda mais profundo no longo prazo. Projeções da associação indicam uma retração potencial no faturamento anual do setor, o que faria as vendas recuarem.
O temor das lideranças do setor é que o custo adicional gerado pela proposta de emenda à Constituição funcione como um "meteoro" econômico para os lojistas, provocando uma crise pior e mais difícil de superar do que o período de restrições da pandemia de Covid-19.
A maior vulnerabilidade está na ponta dos pequenos comerciantes, segundo a associação. Do total de 115 mil lojistas que operam em shoppings pelo Brasil, cerca de 60% são operações de pequeno porte, que contam com estruturas enxutas de apenas quatro ou cinco funcionários.
Para esse grupo, a necessidade de contratar novos colaboradores para cobrir os dois dias de folga obrigatórios elevaria os custos com pessoal em até 25%.
A situação é descrita como ainda mais dramática para os 16 mil quiosques espalhados pelos corredores dos empreendimentos: por trabalharem geralmente com apenas um ou dois funcionários, o custo trabalhista dessas operações simplesmente dobraria.
Acompanhe as últimas notícias produzidas pela CNN Brasil, publicadas na Itatiaia.



