Fim da escala 6x1: CBIC alerta para risco à competitividade
Presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) aponta que medida pode agravar custos de produção e inflação no país

A proposta de fim da escala 6x1, que tramita no Congresso Nacional, gera preocupação no setor produtivo. Renato Correia, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), alertou nesta segunda-feira (22) que a medida pode agravar custos e reduzir a competitividade do Brasil, que caiu sete posições no ranking mundial, segundo dados da IMD World Competitiveness Center em parceria com a Fundação Dom Cabral.
Para Correia, a medida não representa uma solução para o problema da produtividade no país. Em entrevista ao CNN Money, ele destacou que a produtividade brasileira corresponde a apenas 20% da americana. O presidente da CBIC reforça que o fim da escala 6x1 traz queda na produtividade e impacta a capacidade do Brasil de competir no mercado internacional.
"Com baixa produtividade, a gente deixa de competir no mercado mundial, porque o nosso produto industrializado não tem como concorrer nesse mercado", afirmou.
Para ele, o debate em torno da proposta de fim da 6x1 é positivo, mas a Proposta de Emenda à Constituição (PEC), na forma e na velocidade em que está proposta, tende a agravar os custos de produção sem gerar ganhos reais de eficiência.
A proposta prevê uma redução de jornada em 60 dias, com nova redução após um ano. Correia alertou que esse ritmo é incompatível com a capacidade do setor produtivo de crescer em produtividade.
"Aumentando os custos de produção, aumenta os preços do nosso consumo, do nosso serviço, e vai aumentar a inflação dificultando a queda de juros", disse.
No setor de construção, onde parte da remuneração é variável e atrelada à produção por tarefas, a redução de horas trabalhadas pode significar, na prática, uma diminuição nos ganhos dos próprios trabalhadores.
Outro ponto levantado por Correia é a escassez de mão de obra. Segundo ele, o setor de construção civil emprega hoje pouco mais de 3 milhões de trabalhadores com carteira assinada.
Redução demanda 288 mil trabalhadores
A implementação imediata da redução de jornada demandaria cerca de 288 mil trabalhadores adicionais — ou 144 mil no caso de uma redução parcial de duas horas.
"Essa mão de obra não existe. Nós teríamos que cobrir fazendo horas extras para recompor as horas não trabalhadas em horário normal, o que o fim da escala 6x1 pode gerar aumento de custos", explicou.
Diante desse cenário, Correia defendeu uma transição de quatro anos, com redução de uma hora por ano, para que o setor possa organizar ganhos de produtividade por meio de investimentos em maquinário e equipamentos, sem repassar os custos aos preços finais.
Ele também apontou a burocracia como um gargalo relevante: processos de aprovação de projetos, licenciamentos e ligações de energia e saneamento representam cerca de 12% do custo dos imóveis. "Há espaço, sim, para a melhoria da burocracia", afirmou.
Correia ainda alertou que, em um cenário de juros elevados, um aumento estrutural nos custos trabalhistas poderia inviabilizar projetos de investimento privado em infraestrutura.
"Na medida em que há alta taxa de juros e mais custo de produção elevado, as viabilidades para o investimento privado começam a ser recalculadas", concluiu.
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