Presidente da CDL/BH diz que momento não é favorável para discutir o fim da 6x1
Marcelo Souza e Silva defende que o ambiente de negócios precisa melhorar para haver uma mudança na jornada de trabalho

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), Marcelo Souza e Silva, disse nesta sexta-feira (12) que a discussão do fim da escala de trabalho de seis dias para um de descanso (6x1) é uma “irresponsabilidade” em um ambiente desfavorável para os negócios. Segundo o executivo, é preciso discutir primeiro o equilíbrio fiscal e a alta carga tributária paga pelos empresários.
“A nossa visão é que é uma grande irresponsabilidade fazer essa votação em ano eleitoral, um ambiente totalmente negativo para discutir isso. Estamos em um momento de juros elevados, endividamento alto das famílias e empresas, um momento em que precisamos reestruturar a economia do Brasil. Precisamos do equilíbrio fiscal, organizar as contas dos governos”, disse.
Souza e Silva destacou que a mudança na jornada de trabalho pode elevar os custos para micro e pequenas empresas, responsáveis por cerca de 56% dos empregos formais em Minas Gerais. Ele afirma que o impacto do fim da 6x1 pode custar R$ 12 bilhões por ano para as empresas, e R$ 5,9 bilhões para os micro e pequenos negócios. “Custo que essas empresas não aguentam mais”, disse.
O executivo também disse temer pelo aumento da informalidade no mercado de trabalho, uma vez que alterações na jornada de trabalho podem estimular a contratação de funcionários sem carteira assinada. Para ele, é preciso melhorar o ambiente de negócios antes de qualquer mudança estrutural.
Ele cita como prioridade, por exemplo, a atualização do teto de faturamento de empresas do Simples Nacional, que não é reajustado desde 2018, e atualizações na tabela do Microempreendedor Individual (MEI). “Temos a oportunidade de melhorar o ambiente de negócios e trazer uma jornada adequada para a realidade do Brasil”, completou.
No final de maio, a Câmara dos Deputados aprovou a proposta de emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais, estabelecendo uma transição de até 14 meses. A medida ainda precisa ser apreciada pelo Senado Federal em dois turnos antes de ser promulgada, sem a necessidade do aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



