Piracicaba-SP e Serra-ES devem sentir o maior impacto da sobretaxa imposta pelos EUA; entenda
Medida afeta setores como madeira e máquinas; MDIC aponta um cenário de incerteza e queda de 13% nas exportações no primeiro semestre de 2026

As exportações brasileiras para os Estados Unidos enfrentam um cenário desafiador com a imposição de sobretaxas de 25% e 12,5%, totalizando uma alíquota adicional de 37,5% que atinge cerca de 16,5% das vendas ao país. As medidas entraram em vigor nessa quarta-feira (22) e nessa sexta-feira (24), motivadas por supostas práticas desleais e falha no combate ao trabalho forçado, segundo o governo norte-americano.
Na quarta-feira (22), entrou em vigor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com base em uma investigação por supostas práticas desleais cometidas pelo Brasil. Para entender mais sobre a origem dessa discussão, confira a definição das tarifas de 25%. Dois dias depois, na sexta-feira (24), foi a vez da taxa de 12,5% ser aplicada sob alegação de que o governo brasileiro está falhando no combate ao trabalho forçado. Para o motivo da tarifa de 12,5%, leia a matéria relacionada.
Entre os setores sujeitos à dupla tributação, a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) destaca madeira, máquinas e equipamentos, gorduras vegetal e animal e armas. Para quais produtos industriais estão na mira, acesse nosso conteúdo. O CNN Money, em cruzamento de dados com as informações da balança comercial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), revelou que os municípios de Piracicaba-SP e Serra-ES devem sentir o maior impacto da sobretaxa de 37,5%.
Por outro lado, cerca de 52,7% das exportações brasileiras para os Estados Unidos escaparam das duas sobretaxas implementadas pelo governo americano, permanecendo sujeitas apenas às tarifas ordinárias. É o caso do café, carnes, ferro fundido, suco de laranja e frutas. Entenda mais sobre o impacto das novas tarifas dos EUA em um cenário mais amplo.
No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 17,4 bilhões, um resultado que representa uma queda de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior. O MDIC informou que o desempenho foi influenciado principalmente pela diminuição dos embarques de óleos brutos de petróleo, que registraram retração de 30,4%. De forma geral, o Brasil entre os mais afetados.
O movimento tem ocorrido em um ambiente de crescente incerteza quanto à política comercial norte-americana, caracterizado pela ampliação do uso de instrumentos tarifários, pela adoção de medidas restritivas e indevidas e por frequentes revisões das condições de acesso ao mercado dos Estados Unidos”, disse o MDIC em nota.
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