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Ata do Copom foi 'didática' sobre projeções de inflação, avalia economista

Economista-chefe da Suno Research avaliou que o documento foi mais didático sobre política monetária e projeções do 'horizonte relevante'

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Fachada do Banco Central • Marcelo Camargo | Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) divulgou, nesta terça-feira (23), a ata da reunião dos dias 16 e 17 de junho. O documento trouxe esclarecimentos sobre o horizonte relevante da política monetária e o cenário inflacionário, temas que haviam gerado "ruídos" após a divulgação do comunicado sobre o corte que levou a taxa básica de juros (Selic) para 14,25% ao ano.

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, avaliou que a ata foi "significativamente mais esclarecedora" do que o comunicado. Segundo ele, o comunicado inicial havia "gerado ruído" no mercado financeiro.

Sung destacou que o BC conseguiu ser mais didático ao explicar a ideia de cenários alternativos, deixando claro que o horizonte relevante atual permanece no quarto trimestre de 2027, referência citada ao menos três vezes ao longo do documento.

Sobre a questão fiscal, Gustavo Sung apontou que o balanço de riscos está assimétrico, com a inclusão de uma nova expressão pelo Banco Central relacionada a estímulos à demanda. "Esses estímulos à demanda estão em linha com essa discussão fiscal, principalmente eleitoral", disse à CNN Brasil.

Para o economista, há um movimento contraditório em curso: de um lado, o BC tenta desacelerar a economia por meio da política monetária contracionista; de outro, estímulos fiscais tentam reacelerá-la.

É por isso, segundo Sung, que o Copom "reforça repetidamente a necessidade de políticas fiscais e monetárias harmoniosas".

A tabela de projeções inflacionárias apresentou deterioração generalizada. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) projetado para 2026 passou de 4,6% na ata anterior para 5,2%, enquanto a projeção para o quarto trimestre de 2027 subiu de 3,5% para 3,7%. Essa deterioração das projeções inflacionárias é um ponto de atenção.

Gustavo Sung atribuiu essa piora a uma combinação de fatores, incluindo a resiliência do setor de serviços ligada ao mercado de trabalho aquecido, riscos relacionados à formação do El Niño e a desancoragem das expectativas de inflação. Além disso, o conflito no Oriente Médio também contribuiu para a piora. "O cenário inflacionário se deteriorou e temos riscos relevantes à frente", afirmou.

Ao analisar o trecho final da ata, Gustavo Sung interpretou que o BC "deixou uma "porta entreaberta"", sinalizando que a calibração da taxa de juros dependerá da incorporação de novas informações, especialmente sobre a extensão e os efeitos dos conflitos geopolíticos.

"Deixar o cenário aberto nesse momento de incertezas é o mais adequado no momento", avaliou o economista. Para a próxima reunião, Sung projetou manutenção da taxa em 14,25%, com possibilidade de um ou dois cortes ao longo do final do ano, caso o cenário permita.

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