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Projeção para a inflação segue em alta mesmo após acordo na guerra EUA-Irã

Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (22) mostra um aumento nas projeções para o IPCA pela 15ª semana seguida

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Banco Central alegou comprometimento da situação econômico-financeira da instituição líder do Conglomerado
Sede do Banco Central, em Brasília • Antonio Cruz/Agência Brasil

Especialistas do mercado financeiro seguem aumentando as projeções para o fechamento do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, mesmo após um acordo entre Estados Unidos e Irã dar início a negociações de paz na guerra do Oriente Médio. Segundo o Boletim Focus, o IPCA subiu de 5,30% na última semana para 5,33% nesta segunda-feira (22), a 15ª vez que a projeção é elevada no relatório.

As expectativas pioraram na medida em que o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), deixou como indefinido o futuro do ciclo de cortes da taxa básica de juros na última semana. Na quarta-feira (17), o colegiado reduziu de 14,5% para 14,25% ao ano a Selic, o terceiro corte de 0,25 ponto percentual (p.p) no ano.

Na ocasião, o comunicado do Copom ressalta que o cenário atual é caracterizado por forte aumento de incerteza, reafirmando a cautela na condução da política monetária. “Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, disse.

Para a Selic em 2026, os economistas ouvidos no Focus aumentaram a projeção pela terceira semana seguida, de 13,75% para 14% ao ano. Na prática, o relatório mostra que o mercado financeiro prevê apenas mais um corte de 0,25 p.p na próxima reunião do Copom, marcada para agosto.

O relatório ainda mostra uma elevação de 1,96% para 1,98% na projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. Já para o fechamento do dólar, as estimativas ficaram estáveis em relação à divulgação da semana passada, a R$ 5,20.

Inflação segue trajetória de alta mesmo com alívio no Oriente Médio

Ao contrário do que se poderia esperar, o acordo entre Estados Unidos e Irã não trouxe alívio nas projeções de preço. O conflito no Oriente Médio pressionou o mercado de combustíveis com o fechamento do Estreito de Ormuz, rota marítima por onde passa grande parte da produção global de petróleo, o que ocasionou uma disparada no preço do barril da commodity.

Em maio, a inflação do país subiu 0,58%, abaixo dos 0,67% registrados em abril, mas acima das expectativas de alta do mercado financeiro de 0,53% Apesar da desaceleração, a inflação acumula alta de 3,20% nos primeiros cinco meses de 2026 e de 4,72% nos últimos 12 meses - acima do teto da inflação, considerando o intervalo de tolerância de 1,5 p.p para cima ou para baixo.

Boletim Focus 2026 - 22/6

  • IPCA - 5,33%
  • PIB - 1,98%
  • Dólar - R$ 5,20
  • Selic - 14,00%

Boletim Focus 2027 - 22/6

  • IPCA - 4,15%
  • PIB - 1,70%
  • Dólar - R$ 5,27
  • Selic - 12,00%

Boletim Focus 2028 - 22/6

  • IPCA - 3,70%
  • PIB - 2,00%
  • Dólar - R$ 5,30
  • Selic - 10,25%
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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.