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Confiança da indústria cai para o menor patamar desde a pandemia, diz CNI

Com guerra no Oriente Médio e tarifas dos EUA no radar, empresário está mais pessimista com a economia

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Indicador está 8,9 pontos abaixo da média histórica
Indicador está 8,9 pontos abaixo da média histórica • Agência Brasil

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), levantado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) caiu 2,3 pontos em julho, passando de 46,7 para 44,4 pontos na segunda baixa consecutiva do indicador. O resultado reforça o pessimismo do empresário do setor, que caiu para o menor nível desde junho de 2020, na pandemia de Covid-19, quando marcou 41,2 pontos.

Atualmente, o indicador está 8,9 pontos abaixo da média histórica de 53,3 pontos. Segundo a CNI, a falta de confiança do empresariado ganhou força em julho devido a avaliação das condições correntes e as expectativas para o futuro do cenário econômico. São 19 meses consecutivos de pessimismo no setor.

A entidade ressalta que apenas entre 2015 e 2016, o indicador ficou mais tempo em patamar negativo. “Na medida em que se tem um período tão longo de pessimismo, isso se traduz em redução do número de empregados, da produção ou até cancelamento de investimentos produtivos”, disse Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.

Segundo o especialista, a piora das expectativas se deve ao aumento das incertezas no cenário externo, com a retomada da escalada da guerra entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio, mas também sobre a eventual retomada de tarifas norte-americanas sobre os produtos brasileiros importados.

O ICEI vai de 0 a 100 pontos. Valores abaixo de 50 pontos indicam falta de confiança, enquanto valores acima de 50 pontos apontam confiança dos empresários industriais.

Condições atuais

O Índice de Condições Atuais caiu 0,7 ponto em julho, para 41,6 pontos. Com a queda, o indicador segue abaixo da linha de 50 pontos, o que indica que, na avaliação dos empresários, as condições da economia brasileira e das próprias empresas seguem piores do que há seis meses.

O resultado reflete a piora tanto na avaliação das condições atuais da economia brasileira (-1,3 ponto, para 34,7 pontos) quanto das próprias empresas (-0,3 ponto, para 45,1 pontos). A percepção sobre a economia brasileira segue significativamente mais negativa do que a das próprias empresas.

Expectativas

O Índice de Expectativas caiu 3,1 pontos, registrando 45,8 pontos em julho de 2026. Trata-se da maior queda desde novembro de 2022, quando o indicador recuou 10,8 pontos. O resultado revela que os empresários estão mais pessimistas para os próximos seis meses.

A piora do índice de expectativas foi disseminada entre dois componentes. O índice de expectativas para a economia brasileira caiu 3,8 pontos, para 37,2 pontos, indicando aprofundamento do pessimismo. Já o índice de expectativas para as próprias empresas recuou 2,7 pontos, para 50,1 pontos.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.