Escalada em Ormuz acende alerta para setor produtivo, diz Fiemg
Federação das Indústrias de Minas Gerais alerta para aumento nos custos das cadeias produtivas com nova escalada no Oriente Médio

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) emitiu uma nota alertando, nesta segunda-feira (13), para os impactos da retomada do conflito entre Estados Unidos e Irã e as novas declarações do presidente Donald Trump no setor produtivo. Segundo a entidade, a escalada das tensões no Estreito de Ormuz amplia a imprevisibilidade das operações internacionais.
Pela manhã, o presidente norte-americano anunciou que cobraria uma taxa de 20% para a navegação na rota do golfo pérsico, uma espécie de pedágio para o que ele chamou de “guardiões do estreito”. Trump afirma que os Estados Unidos estão garantindo a tráfego no local, mas deveriam ser ressarcidos pelos custos.
Em resposta, o governo iraniano rejeitou qualquer interferência dos EUA no controle da passagem marítima e ameaçou retaliar embarcações e países no golfo que colaborem com a Casa Branca. Segundo a Fiemg, essa escalada interrompe a expectativa de normalização criada pelo acordo que havia sido firmado entre os dois países em 17 de junho, que previa um cessar-fogo de 60 dias.
“O agravamento das tensões tem potencial para gerar efeitos em cadeia sobre os preços de combustíveis, energia e insumos estratégicos, além de pressionar fretes e seguros marítimos. A ameaça de cobrança sobre as cargas, somado ao bloqueio de embarcações ligadas ao Irã e ao risco de novos confrontos, aumenta a insegurança nas cadeias globais de suprimentos”, disse.
A entidade ainda reforça que a percepção de risco tende a ser incorporada aos custos logísticos e aos contratos de transporte. Um levantamento do Centro Internacional de Negócios da Fiemg, elaborado com dados do governo federal, mostra que em maio o comércio do Brasil com oito países do Oriente Médio recuou para US$ 1,04 bilhão, o menor valor registrado desde janeiro de 2021.
Em Minas Gerais, no acumulado entre março e maio deste ano, as exportações para esses mercados caíram 44% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto as importações registraram retração de 71%. Entre os produtos mais afetados estão o minério de ferro e o enxofre, insumo estratégico para a fabricação de fertilizantes.
“A Fiemg monitora com atenção as medidas e reforça que as empresas devem acompanhar permanentemente as condições de transporte, os contratos de seguro, os prazos de entrega e os preços dos insumos importados. A entidade também destaca a importância da adoção de estratégias de diversificação de mercados, fornecedores e rotas logísticas, especialmente para produtos essenciais à indústria e ao agronegócio”, afirmou a entidade.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



