BC autorizou venda de banco para ex-sócio de Vorcaro no Master antes de operação da PF

Envolvido no caso Master teve autorização da autoridade monetária meses antes da operação Compliance Zero

Sede do Banco Central, em Brasília

O Banco Central (BC) aprovou em 2025 a venda de um banco para Augusto Ferreira Lima, um dos investigados na fraude do caso Master. Segundo informações da CNN Brasil, a autorização ocorreu em julho, meses antes da Polícia Federal deflagrar a operação Compliance Zero, que revelou o esquema de ciranda financeira do conglomerado do empresário Daniel Vorcaro.

A transação envolve o Banco Voiter, antigo Indusval e renomeado para Banco Pleno, e foi aprovada em 24 de julho de 2025. Cerca de um ano antes, em fevereiro de 2024, a autoridade monetária havia aprovado outra operação envolvendo o Voiter, desta vez para Vorcaro, que passou a controlar a instituição dentro do conglomerado do Master.

Na época da venda para Lima, o Banco Central já havia relatado indícios de crimes na operação do Master ao Ministério Público Federal (MPF). O empresário era sócio de Daniel no Banco Master, mas o empresário deixou a sociedade em maio de 2024.

Os dois foram presos em 17 de novembro do ano passado, quando a Polícia Federal deflagrou a primeira fase da operação Compliance Zero, que mirou a venda de carteiras de crédito falsas que eram usadas para inflar o capital do conglomerado de Vorcaro. A prisão preventiva dos dois empresários chegou a ser revogada pelo Tribunal Regional Federal da 1º Região, e passaram a usar tornozeleira eletrônica.

Augusto Ferreira Lima foi intimado pela PF para prestar depoimento entre os dias 26 a 28 de janeiro sobre o caso Master. Depois da operação, o empresário foi afastado do Pleno pela autoridade monetária. A Itatiaia procurou o BC para uma manifestação sobre a transferência do Voiter e aguarda retorno.

As apurações contra Vorcaro e o Master começaram em 2024, após uma requisição do Ministério Público Federal para apurar a possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira. Esses títulos teriam sido vendidos a outro banco e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada.

A investigação resultou na liquidação extrajudicial do Master pelo Banco Central. Na época, o BC citou uma “grave crise de liquidez” do conglomerado, o que compromete significativamente a situação econômico-financeira, e citou “graves violações às normas que regem a atividade das instituições do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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