Desemprego fecha em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro

Dados da PNAD-Contínua divulgados pelo IBGE mostram um mercado de trabalho resiliente mesmo com uma taxa de juros elevada

Rendimento real dos trabalhadores cresceu para R$ 3.652

A taxa de desocupação no Brasil chegou a 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, segundo dados divulgados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-Contínua) nesta quinta-feira (5). O dado renova o recorde da série histórica ao repetir o patamar registrado no trimestre encerrado em outubro de 2025.

Segundo o IBGE, na comparação ao trimestre móvel de novembro de 2024 a janeiro de 2025, houve queda de 1,1 ponto percentual (p.p). O IBGE estima que cerca de 5,9 milhões de pessoas estavam desocupadas no país no último trimestre, o menor contingente de desocupados da série, uma queda de 17,1% na comparação anual.

O número de ocupados chegou a 102,7 milhões, também o maior contingente da série, ficando estável no trimestre e com aumento de 1,7% no ano. O nível de ocupação, ou seja, o percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar, foi de 58,7% - estabilidade no trimestre e crescimento de 0,5 p.p no ano.

Segundo a coordenadora de pesquisa domiciliares do IBGE, Adriana Beriguy, os resultados apontam “fundamentalmente” para a estabilidade dos indicadores de ocupação, embora a entrada do mês de janeiro tenda a reduzir o contingente de trabalhadores. “Muitas vezes devido à dispensa de temporários, os efeitos favoráveis de novembro e dezembro reduziram o impacto desse movimento sazonal”, disse.

Para o economista sênior do Banco Inter, André Valério, os indicadores mostram um mercado de trabalho resiliente em meio à elevada taxa básica de juros (15% ao ano). “Os principais indicadores se encontram próximos do topo e vemos sinais de perda de dinamismo, na margem, no mercado de trabalho, com os setores mais sensíveis ao ciclo encontrando maiores dificuldades”, explicou.

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A taxa de subutilização, ou percentual de pessoas desocupadas por insuficiência de horas trabalhadas, ficou em 13,8%, resultado considerável estável na comparação trimestral e queda de 1,8 p.p na comparação anual (15,5%).

O rendimento real dos trabalhadores chegou a R$ 3.652, o mais alto da série, com um aumento de 2,8% no trimestre e 5,4% no ano. A massa de rendimento real habitual (R$ 370,3 bilhões), também recorde, cresceu 2,9% no trimestre (mais R$ 10,5 bilhões) e 7,3% (mais R$ 25,1 bilhões) no ano.

Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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