Balança comercial bate recorde de exportações em fevereiro

País segue vendendo mais do que comprando no comércio internacional e registrou novo saldo positivo na balança

Dados foram divulgados pelo ministro e vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB)

As exportações brasileiras em fevereiro tiveram um crescimento de 15,6% na comparação com o mesmo mês do ano passado e voltaram a bater recorde, de acordo com dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) nesta quinta-feira (5). As vendas para o exterior somaram R$ 26,3 bilhões, enquanto as importações foram na ordem de US$ 22,1 bilhões (-5%).

Com o resultado, o país registrou mais um superávit na balança comercial, dessa vez na ordem de US$ 4,2 bilhões. No acumulado do ano, as exportações totalizam US$ 51 bilhões e as importações US$ 42,9 bilhões, um saldo positivo de US$ 8 bilhões.

“Destacar o recorde de exportação no mês de fevereiro. Cresceu 15,6% as exportações, comparada com fevereiro do ano passado. Então, recorde para meses de fevereiro de exportação. Recorde de corrente de comércio para os meses de fevereiro. O Brasil está se integrando ao mundo como nunca”, disse o ministro Geraldo Alckmin (PSB).

Segundo o economista sênior do Banco Inter, o resultado mostra a economia brasileira bem posicionada pensando nos impactos da guerra no Irã no comércio internacional. Na sua análise, o país pode se beneficiar do aumento do preço do petróleo, além do provável aumento da demanda pela nossa commodity.

“Além disso, a incerteza acerca da travessia do estreito de Ormuz, coloca pressão sobre os preços de todas as commodities, também beneficiando nossa pauta exportadora. Por outro lado, o Irã não é um parceiro comercial relevante”, explicou.

Exportação

De acordo com o MDIC, na comparação com fevereiro de 2025, houve um crescimento de 6,1% nas exportações da Agropecuária (+ US$ 0,3 bilhão), expansão de 6,3% na venda de produtos da Indústria de Transformação (+ US$ 0,85 bilhão), além de uma alta expressiva de 55,5% na Indústria Extrativa (+ US$ 2,37 bilhões).

Entre os produtos, o destaque vai para a venda de óleo bruto de petróleo, com uma alta de 76,5% na comparação com o ano passado. Também houve um aumento de 20,9% nas exportações de minério de ferro e 131,2% no minério de cobre. No lado do agro, houve um crescimento de 15,5% na venda de soja.

O principal comprador dos produtos brasileiros segue sendo a China, que teve um crescimento de 38,6% se comparado com o ano passado, de US$ 5,2 bilhões para US$ 7,2 bilhões. O gigante asiático é seguido pela União Europeia, que teve uma alta de 34,7% para US$ 4,23 bilhões. Também houve um avanço no comércio com o México (+24,3%) e com o Oriente Médio (10,8%).

Por outro lado, houve uma queda de 20% nos produtos vendidos para os Estados Unidos para US$ 2,52 bilhões, com parte da pauta exportadora ainda sendo afetada pelo tarifaço. Também houve uma queda de 26,47% para US$ 1,06 bilhão no volume de vendas para a vizinha Argentina.

Importação

Nas importações, houve uma queda de 20% na compra de produtos do Agronegócio (- US$ 0,11 bilhão; seguido por um recuo de 12,1% nos produtos da Indústria Extrativa (- US$ 0,11 bilhões), e queda de 4% em produtos da Indústria de Transformação (- US$ 0,87 bilhões).

Entre os produtos, a principal queda nas compras foi de 70% em motores e máquinas não elétricos (- US$ 0,55 bilhão). Também houve uma queda de 65,5% na compra de trigo e centeio não moídos (- US$ 0,09 bilhão), e de 50,8% na compra de gás natural (- US$ 0,10 bilhão).

O país que mais cresceu em vendas para o Brasil foi a Coreia do Sul, com um avanço de 609,57% para US$ 2,95 bilhões, seguido com um crescimento de 80% no Canadá para US$ 0,29 bilhão. Por outro lado, as compras da China caíram 31,14% para US$ 5,49 bilhões, enquanto os Estados Unidos teve uma queda de 16,46% para US$ 2.79 bilhões.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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