O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) começou a pagar nesta segunda-feira (19) o ressarcimento dos investidores do Banco Master que já
Cerca de 150 mil pessoas que são detentoras de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Master concluíram o pedido, apenas 9,3% dos 1,6 milhão de credores do Master. A liberação ocorre após o liquidante finalizar a consolidação e conferência da lista com as informações dos credores que têm direito ao pagamento.
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Nas redes sociais, alguns credores compartilharam um aviso de instabilidades no aplicativo, enquanto outros relatam problemas na hora de validar os documentos necessários para o pagamento. A Itatiaia procurou o FGC para um posicionamento, mas até o momento não houve retorno. A matéria será atualizada com a manifestação do fundo.
Os pagamentos devem levar a maior descapitalização do fundo, na ordem de R$ 41 bilhões em garantia. Normalmente, o processo demora cerca de 40 dias, contudo o atraso teria ocorrido de acordo com a complexidade do caso. O tempo de espera foi o maior desde o fechamento do Banco Rural, em 2013, que durou três meses e seis dias.
O FGC funciona como uma proteção ao Sistema Financeiro Nacional (SFN), como forma de prevenir crises bancárias sistêmicas e proteger os depositantes. O fundo garante valores em contas correntes, poupanças, e títulos de renda fixa no limite de até R$ 250 mil por depositante/investidor (CPF ou CNPJ), e instituição financeira associada ou conglomerado financeiro liquidado.
Como funciona o pagamento
- Banco Central decreta a liquidação da instituição - liquidante prepara a lista de pessoas e valores a serem pagos pelo FGC. Esse processo pode levar, em média, 30 dias úteis a partir da falência.
- Com as informações recebidas da instituição, o FGC libera a solicitação no aplicativo para que os credores cadastrem a conta bancária, façam a validação da biometria e o envio de documentos.
- Após a assinatura do termo de sub-rogação pelo app, o pagamento é realizado na conta bancária cadastrada.
Relembre o caso Master
O Master e seu dono, o empresário Daniel Vorcaro, foram alvos da operação Compliance Zero da Polícia Federal, que teve como objetivo combater a venda de títulos de créditos falsos pelo conglomerado de instituições do banco. Os títulos eram usados para alavancar sua capitalização, oferecendo taxas de juros em percentuais acima da média do mercado.
As apurações contra Vorcaro e o Master começaram em 2024, após uma requisição do Ministério Público Federal para apurar a possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira. Esses títulos teriam sido vendidos a outro banco e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada.
A investigação resultou na liquidação extrajudicial do Master pelo Banco Central. Na época, o BC citou uma “grave crise de liquidez” do conglomerado, o que compromete significativamente a situação econômico-financeira, e citou “graves violações às normas que regem a atividade das instituições do Sistema Financeiro Nacional (SFN).