BRB diz que operação contra o Master aumenta chances de reaver recursos

Banco Regional de Brasília (BRB) ainda teria que recuperar R$ 6 bilhões dos R$ 16 bilhões injetados em ativos do Master

Banco de Brasília tentou a compra do Master em 2025, mas foi barrado pelo Banco Central

O Banco Regional de Brasília (BRB) disse que a segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (14) contra o Banco Master, aumenta as chances de reaver os recursos que foram aplicados na instituição durante o processo de fusão que foi barrado pelo Banco Central.

Em nota enviada à imprensa, a administração do BRB informou que realizou uma reunião com o liquidante do Master, e avançou nas tratativas para reaver recursos que pertencem à instituição. “Como credor na liquidação, o Banco respeita a ordem de prioridade dos demais credores, mas segue atuando com firmeza para recuperar todos os compromissos pendentes”, disse.

Segundo o banco, o bloqueio de R$ 5,7 bilhões de empresários envolvidos na fraude do Master, incluindo Daniel Vorcaro, fortalece as medidas de recuperação que estão sendo adotadas. “O Banco reforça que permanece sólido, operando normalmente e garantindo a oferta completa de serviços financeiros, incluindo crédito, investimentos e atendimento nos canais digitais e presenciais”, completou.

O BRB foi alvo da primeira fase da Compliance Zero, ainda em novembro de 2025, suspeito de ter comprado ativos podres do Master após a compra do conglomerado de Vorcaro ter sido barrada pelo Banco Central. Na época, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o diretor financeiro Dario Oswaldo Garcia, foram afastados do banco e demitidos logo em seguida.

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A instituição teria injetado R$ 16,7 bilhões no Master entre 2024 e 2025, na compra de carteiras de crédito falsas e ativos irregulares. No ano passado, o BRB informou que já teria liquidado ou substituído mais de R$ 10 bilhões dos ativos do Master, e disse que poderia receber um aporte do seu controlador, o governo do Distrito Federal, caso seja confirmado o prejuízo no caso Master.

Com a liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, os recursos ficaram congelados. O Master estaria usando carteiras de crédito falsas para alavancar seu patrimônio. A suspeita das autoridades é de que o Banco usava Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) que pagavam valores acima da média de mercado, enquanto usava o dinheiro aplicado pelos investidores em ativos de risco.

Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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