Bancos esperam desaceleração gradual no crédito em 2026

Pesquisa da Federação Brasileira de Bancos mostra que entidades financeiras esperam um mercado de crédito ainda robusto, mesmo com a Selic alta

Carteira total de crédito deve ter um crescimento menor em 2026, mas ainda expressivo

A maioria dos bancos brasileiros esperam que a carteira total de crédito tenha uma desaceleração gradual em 2026, saindo de um crescimento estimado de 9,2% em 2025, e chegando em 8,2%. Os dados são da Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), divulgada nessa quinta-feira (1º).

Segundo a entidade que representa as principais instituições financeiras do país, a projeção está em linha com os números recentes do mercado de crédito, cujo crescimento anual do saldo se mantém elevado mesmo com uma taxa básica de juros em 15% ao ano. A Selic é considerada a taxa de referência do mercado brasileiro, ou seja, quando ela está em patamares elevados, o crédito tende a ficar mais caro para a população.

A pesquisa da Febraban ouviu 20 bancos entre 17 e 19 de dezembro. A pesquisa revisa a expectativa da carteira de crédito total em 2025, que antes era de alta de 8,9%. A estimativa maior reflete o aumento da expectativa de crescimento do crédito direcionado, com a projeção subindo de 10,1% para 10,9%, em especial para Pessoas Jurídicas, que subiu de 13,6% para 15,4%.

Segundo o diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban, Rubens Sardenberg, o crescimento do crédito é sustentado pelos programas governamentais para Pequenas e Médias empresas e linhas de consumo para as famílias.

Leia também

“Para 2026, a expectativa é que essa desaceleração gradual prossiga ao longo do ano, levando a um crescimento de 8,2%, com o movimento sendo liderado pela carteira Direcionada PJ, dada a elevada base de comparação deste segmento, que tende a fechar 2025 com alta superior a 15%”, disse.

Na carteira livre, o saldo estimado para 2025, a expectativa de crescimento caiu marginalmente de 8,1% para 8,0%. A revisão decorreu do menor crescimento esperado para a carteira PJ, que recuou de 5,1% para 3,6%, em razão das condições financeiras mais apertadas, elevação do IOF e da concorrência com as operações direcionadas e o mercado de capitais.

Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

Ouvindo...