Acordo Mercosul e Japão pode beneficiar as exportações brasileiras em US$ 1,7 bilhão
Levantamento da Fiemg demostra ganhos para a economia brasileira com acordo de comércio com o Japão

O possível acordo de livre comércio entre o Mercosul e o Japão deve impulsionar as exportações brasileiras em US$ 1,7 bilhão, segundo levantamento da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), divulgado nesta quinta-feira (2). A entidade celebrou o início das negociações entre o bloco de países da América do Sul e o gigante asiático.
Segundo a Fiemg, o avanço fortalece a “inserção do Brasil” no comércio internacional, ampliando as oportunidades para a indústria e criando um ambiente favorável à expansão do comércio e investimentos. O levantamento aponta que o acordo poderá beneficiar 18,4% da pauta exportadora brasileira, com destaque para alimentos, bebidas, ferroligas e alumínio.
“Nas importações, aproximadamente US$ 4,6 bilhões em produtos — entre eles peças automotivas, veículos, máquinas e equipamentos — poderão ser contemplados com redução ou eliminação de tarifas, contribuindo para aumentar a competitividade da indústria nacional”, disse a Fiemg.
De acordo com a Federação, em 2025 o comércio entre os dois países movimentou US$ 11,54 bilhões. Minas Gerais respondeu por US$ 1,99 bilhão desse total e registrou superávit de US$ 989,6 milhões, impulsionado pelas exportações de café. Segundo a coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais da Fiemg, Verônica Winter, a expectativa para o setor produtivo é positiva, uma vez que o mercado japonês é “altamente exigente”.
“As negociações abrem oportunidades importantes, mas será fundamental que as empresas estejam preparadas para aproveitá-las. Para a indústria, os ganhos podem ocorrer em duas frentes: com a ampliação do acesso de produtos brasileiros ao mercado japonês, especialmente nos setores que já exportam, e com a redução dos custos de insumos, máquinas e tecnologias importadas do Japão, fortalecendo a competitividade da produção nacional", afirmou.
Transformação e agropecuária
A Fiemg destacou que a indústria de transformação e a agropecuária tendem a ser os setores mais beneficiados pelas reduções tarifárias, uma vez que respondem por cerca de 81,8% dos produtos com potencial de receber tratamento preferencial. A entidade também avalia que regras mais claras para o comércio poderão estimular novos negócios.
Outro efeito esperado é o fortalecimento dos investimentos bilaterais. Em 2025, o estoque de investimentos entre Brasil e Japão alcançou US$ 27,9 bilhões, dos quais US$ 27,8 bilhões correspondem a investimentos japoneses no Brasil, concentrados principalmente na indústria de transformação e no comércio automotivo. Para a Fiemg, o aprofundamento dessa relação poderá contribuir para a modernização da indústria brasileira e a incorporação de novas tecnologias.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



