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'A diferença entre quem é de esquerda e quem é reacionário é o papel do Estado', diz Durigan

O ministro se esquivou de comentar sobre a taxa de juros em evento de economia verde e culpou o sistema tributário e a taxa cambial por possível desinteresse de investimento privado

PorBrasília
Dario Durigan
Dario Durigan defendeu o papel do Estado para cumprir meta econômica • Agência Brasil

Durante um evento sobre economia verde, o ministro da fazenda, Dario Durigan, defendeu que um Estado "eficiente" é fundamental para o cumprimento das metas econômicas do país. A declaração foi dada após ele evitar comentar a taxa básica de juros (a Selic) e afirmar que o Fundo Monetário Internacional (FMI) deve fazer uma nova revisão para cima da projeção de crescimento da economia brasileira em 2026.

A fala ocorreu durante o 1º Fórum Econômico da Transformação Ecológica Brasileira, promovido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), nesta quinta-feira (2).

"Acreditamos no Estado e, sem o Estado, não vamos atingir as metas. A diferença entre quem é de esquerda e progressista e quem é reacionário é o papel do Estado. Não vamos ganhar o debate se não defendermos um Estado eficiente, que tenha clareza de propósito", afirmou.

Ao falar sobre investimentos, Durigan disse que a atração de investimentos privados não depende somente da taxa de juros. Entre os principais entraves, ele citou o sistema tributário e a taxa cambial. Ao ser provocado sobre a Selic, preferiu não aprofundar o tema.

"O Brasil tem dois principais desafios no investimento privado. Para além da taxa de juros nossa, que isso eu não vou falar, não tenho muito clima para falar isso agora", disse.

Em junho, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano. Apesar do corte, o juros continua entre os mais elevados do mundo. Segundo o Banco Central (BC), a manutenção da Selic em nível elevado busca controlar a inflação.

Na prática, juros altos aumentam o custo do crédito e tendem a desestimular investimentos de empresas no setor produtivo, que adiam projetos de expansão e contratação. Já para o investimento estrangeiro, a taxa de juros é apenas um dos fatores considerados. Empresas internacionais também avaliam aspectos como estabilidade institucional, segurança jurídica, potencial de consumo e regras tributárias antes de decidir investir em um país.

Nesse contexto, a decisão de Durigan de evitar comentários sobre a Selic pode ser interpretada como uma estratégia para manter o foco da discussão nas medidas estruturais defendidas pelo governo para estimular os investimentos em economia sustentável, em um evento voltado justamente à atração de capital para a agenda verde do Brasil.

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Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.