Durigan admite ir aos EUA para tentar evitar tarifa de 25% sobre produtos brasileiros
Ministro da Fazenda afirma que pode viajar a Washington e que Lula deve buscar diálogo com Donald Trump para impedir medida considerada 'injusta' pelo governo brasileiro

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira (2) que não descarta viajar aos Estados Unidos para discutir a recomendação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, Durigan disse que também avalia um contato direto com o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, em busca de uma solução diplomática para o impasse.
"Não afasto a hipótese de ir aos Estados Unidos ou entrar em contato com o Scott Bessent, secretário do Tesouro", declarou. O ministro afirmou ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá atuar pessoalmente nas negociações para tentar impedir a adoção da medida. "O presidente Lula certamente vai querer fazer contato com o presidente Trump para que isso não aconteça, porque é uma medida muito injusta", disse.
Durigan ressaltou que a sobretaxa ainda não foi oficializada e que existe um período de análise antes de uma decisão definitiva por parte do governo norte-americano. Segundo ele, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, terá uma reunião nesta quarta-feira (3) com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, durante encontro da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Greer é o responsável pela recomendação que propõe a aplicação da tarifa adicional sobre produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano.
Impacto nas exportações
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa, afirmou que a proposta dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros pode afetar cerca de 21% das exportações do Brasil para o mercado americano. A medida foi sugerida pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) no âmbito de uma investigação que acusa o Brasil de adotar práticas consideradas desleais em áreas como comércio digital, propriedade intelectual e combate ao desmatamento ilegal.
Segundo Rosa, os segmentos que seriam mais impactados pela nova tarifa incluem máquinas e equipamentos, plásticos, madeira, papel-cartão, calçados, ferro fundido, além de peixes e crustáceos. O governo americano tem até 15 de julho para decidir sobre eventuais medidas decorrentes da investigação. Durante entrevista coletiva em Brasília, o ministro também descartou qualquer possibilidade de o Pix entrar nas negociações entre os dois países. “Não há hipótese disso”, afirmou.
Acompanhe as últimas notícias produzidas pelo Estadão Conteúdo, publicadas na Itatiaia.


