Lula chama Marco Rubio de ‘anti-América Latina’ após nova ameaça de tarifas dos EUA
Presidente brasileiro reagiu a declarações do secretário de Estado americano e associou diplomata à proposta de sobretaxa sobre produtos brasileiros

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a elevar o tom contra integrantes do governo dos Estados Unidos e classificou nesta terça-feira (02) o secretário de Estado americano, Marco Rubio, como "anti-América Latina". A declaração ocorreu em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Brasília e Washington, após a proposta de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano. A medida foi sugerida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que divulgou um documento propondo a sobretaxa após uma investigação aberta em julho de 2025 sobre supostas práticas comerciais consideradas desleais por Washington.
Ao comentar o tema durante um evento na cidade de Catalão, em Goiás, Lula afirmou que Rubio mantém uma postura hostil em relação a países latino-americanos e insinuou que o secretário de Estado influencia as decisões do presidente Donald Trump sobre o Brasil.
"O tal do Marco Rubio, que é o chefe do Departamento de Estado, que é o anti-América Latina, que é o inimigo mortal de Cuba, que é o inimigo mortal de vários países latino-americanos. Eu já disse ao Trump que ele não gosta do Brasil", declarou o presidente.
Marco Rúbio falou sobre o Brasil
As críticas ocorreram no mesmo dia em que Rubio apontou o Brasil como uma exceção entre os países da América Latina que, segundo ele, mantêm relações mais próximas com os Estados Unidos. Durante audiência no Comitê de Relações Exteriores do Senado americano, também nesta terça-feira (02), o secretário afirmou que a região vive um momento de aproximação com Washington, mas citou Brasil, Cuba, Venezuela e Nicarágua como países fora desse grupo.
"De modo geral, é agora uma região repleta de aliados americanos, de líderes amigáveis aos EUA e de uma direção favorável aos EUA", afirmou Rubio ao defender o fortalecimento das relações dos Estados Unidos com governos latino-americanos considerados parceiros estratégicos.
Lula também criticou o senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que esteve recentemente em Washington e se reuniu tanto com Trump quanto com Rubio. O presidente acusou o parlamentar de buscar apoio estrangeiro para interferir em assuntos internos do Brasil e o chamou de "traidor".
A troca de farpas entre Lula e Marco Rúbio amplia um período de atritos entre o Brasil e os EUA. Na semana passada, o governo americano classificou duas facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, PCC e CV. A medida foi recebida com preocupação pelo governo brasileiro. Autoridades em Brasília avaliam que a decisão pode abrir precedentes para ações mais amplas dos Estados Unidos relacionadas à segurança regional.
Apesar das divergências recentes, Lula e Trump estiveram reunidos há cerca de três semanas em Washington. Na ocasião, ambos os governos classificaram o encontro como positivo e sinalizaram disposição para manter o diálogo bilateral. A nova ameaça tarifária, no entanto, reacendeu as tensões comerciais e diplomáticas entre os dois países em um momento de forte polarização política no Brasil e de aproximação entre integrantes da oposição brasileira e o governo americano.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.



