A alta demanda de transporte por aplicativo em dias de jogos do Brasil na Copa do Mundo faz os preços dispararem nas principais plataformas do setor. Uma comparação feita pela Itatiaia na última segunda-feira (29), quando a Seleção enfrentou o Japão nos 16 avos de final do torneio, mostra que em um trajeto de 1,5 km o preço que em dias úteis sem jogos é de R$ 10,94 saltou para R$ 32,93, uma variação de 201%, uma hora antes do início da partida.
Nesse caso, o trecho comparado compreende uma viagem entre o bairro Estoril e Havaí, na Região Oeste de Belo Horizonte. Meia hora antes do apito inicial, o preço da corrida teve uma redução de 30%, para R$ 22,95, enquanto na hora da partida caiu novamente 28% a R$ 16,40. Imediatamente após o apito final, às 16h, o preço despencou para R$ 8,95 (-45,4%).
Uma corrida do Estoril para Venda Nova, em um trajeto de 24 km, a viagem subiu de R$ 52,93 em dias normais, para R$ 89,98 faltando uma hora para o jogo, uma alta de 70%. Já para o outro extremo da cidade, no Barreiro (10,3 km), a corrida saiu de R$ 31,98 para R$ 39,93 (25%). Nesses casos, os preços também seguiram uma tendência de queda na marca de 30 minutos antes da partida, na hora do apito inicial e no fim do jogo.
A reportagem também comparou uma viagem para outra cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Saindo do Estoril para Betim (28,2 km), o preço subiu de R$ 59,95 para R$ 98,43, uma alta de 64%. Faltando 30 minutos para o jogo, a corrida teve uma leve queda de 9,6%, a R$ 88,95, enquanto no apito inicial o preço chegou em R$ 64,94 (-26%). Após a partida, o trajeto já estava estimado em R$ 56,93 (-12%).
Em uma outra plataforma, o preço das corridas mais longas chega a dobrar. O trajeto para Venda Nova, que normalmente custaria R$ 48,40 às 13h, subiu para R$ 122,10 (152%) no dia do jogo. Às 14h, o preço caiu 60% para R$ 51,20. No caso de Betim, a corrida que custa em média R$ 60,10 subiu para R$ 134,80 (124%), e caiu para R$ 70,10 no apito inicial (-46%).
Oferta e demanda
Procuradas pela Itatiaia, Uber e 99 afirmaram que se posicionariam por meio da Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec). Em nota, a entidade afirma que as associadas operam modelos de negócio que buscam equilibrar as demandas dos usuários por viagens com a oferta de motoristas.
“O preço das viagens é influenciado por fatores como tempo e distância dos deslocamentos, categoria do veículo escolhido, nível de demanda por corridas no horário e local específico, entre outros. A depender destes fatores, os valores podem ter variação dinâmica alinhados com as estratégias comerciais de cada plataforma”, explicou.
Segundo a Amobitec, o modelo busca manter a confiabilidade no serviço, alinhando a atratividade nas receitas financeiras e a competitividade no mercado no qual atuam. São associadas da entidade a 99, Uber, Alibaba, Amazon, Buser, iFood, Flixbus, Lalamove, Shein e Zé Delivery.
*Com colaboração de Ana Luiza Pereira e Gabriela Paiva