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Governo Lula manifesta preocupação com sanções dos EUA contra brasileiros

As medidas americanas visam dois cidadãos e três companhias e são vistas como um 'desdobramento' da classificação das facções criminosas como organizações terroristas

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Marília Alencar dava expediente na sede do Ministério da Justiça
Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Senajus (Secretaria Nacional de Justiça) e o Ministério da Justiça (MJ) manifestaram, nesta quarta-feira (1º), preocupação com as sanções financeiras impostas pelos Estados Unidos a brasileiros e empresas, investigados por suposta ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital). As medidas americanas visam dois cidadãos e três companhias e são vistas como um "desdobramento" da classificação das facções criminosas como organizações terroristas, podendo gerar "sanções secundárias" para instituições financeiras brasileiras.

De acordo com o ministério, a decisão americana "não surpreende o governo brasileiro". O órgão acrescentou que as medidas são um "desdobramento" da recente decisão dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou, na manhã desta quarta-feira (1º), a sanção contra dois cidadãos e três empresas brasileiras devido a supostos vínculos deles com o PCC.

Ainda segundo os órgãos, o combate ao crime organizado internacional "não deve servir de pretexto para medidas unilaterais". O governo do Brasil avalia que essas ações podem ser acompanhadas de decisões "ainda mais gravosas" e fora dos sistemas de cooperação global entre os dois países.

O Ministério também citou que as restrições aplicadas pelos Estados Unidos aos brasileiros podem causar efeitos "indiretos" para instituições financeiras brasileiras, que podem vir a ser alvo de "sanções secundárias". As novas restrições tiveram como alvo Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira.

As empresas são: Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda (Victory Trading); Wave Construções Inteligentes Ltda (Wave) – ambas de serviços financeiros – e a Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda (Pixwave), do setor de construção. Segundo o comunicado do departamento, Victor Shimada é um elo entre o PCC na Flórida e traficantes de drogas internacionais.

Ele teria lavado mais de US$ 30 milhões (equivalente a cerca de R$ 155,8 milhões) em recursos ilícitos gerados em cidades dos Estados Unidos e arredores, usando criptomoedas para transferir fundos de volta ao Brasil em nome da facção.

As autoridades americanas acusam Stella Stefanie de atuar como "secretária" de Shimada e intermediária para coleta de grandes quantias de dinheiro. Ela teria fornecido "serviços logísticos essenciais que apoiaram Shimada e sua rede em suas operações de lavagem de dinheiro".

"Esta designação é mais um passo do governo dos Estados Unidos para enfrentar e reconhecer a presença crescente da geração de receitas ilícitas do Primeiro Comando da Capital dentro de nossas fronteiras", afirmou Gene Lange, que exerce as funções de subsecretário para Terrorismo e Inteligência Financeira.

O Departamento do Tesouro americano afirmou que o PCC representa uma ameaça significativa à segurança nacional dos Estados Unidos, "uma vez que suas operações em todo o país, particularmente na Flórida, lavam dinheiro proveniente do narcotráfico e contribuem para um ciclo de crimes".

O comunicado também classificou o Primeiro Comando da Capital como "a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental". O texto destaca que, nos últimos anos, o grupo expandiu suas operações globalmente, com presença significativa em países como Reino Unido, Turquia e Japão.

"Nos Estados Unidos, o PCC representa uma ameaça criminal real e crescente. Redes como a alvo da designação de hoje se envolvem em tráfico de drogas, contrabando de grandes quantias em dinheiro para cartéis e outras atividades ilícitas para gerar fluxos de receita para o PCC", afirma o departamento dos Estados Unidos.

 

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