No Paraguai, Lula fala em reeleição e promete fortalecer o Mercosul
Presidente defende que bloco seja tratado como política de Estado e diz que integração não pode depender das mudanças de governo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta terça-feira (30) que o Mercosul seja fortalecido institucionalmente para não depender da orientação política dos governos eleitos em cada país. Em discurso na 68ª Cúpula de Presidentes do Mercosul, em Assunção, no Paraguai, o petista afirmou que o bloco precisa ser tratado como uma política de Estado e disse que continuará sendo prioridade para o Brasil, independentemente do resultado das eleições presidenciais.
"O Mercosul não pode funcionar de acordo com a eleição desse ou daquele presidente. Se não, a gente nunca vai ter um bloco realmente forte e funcionando", afirmou.
O presidente afirmou que a alternância de governos costuma interromper projetos de longo prazo e comparou esse processo a subir e descer uma escada sem alcançar o objetivo final.
"Eu sei o que é você subir 12 degraus de uma escada e depois de um ano descer esses 12 degraus. Depois você sobe mais 12 e volta mais 12. Você nunca consegue chegar àquilo que é o sonho das pessoas", declarou.
Ao falar sobre o cenário político brasileiro, Lula também falou sobre sua disputa a reeleição neste ano. Segundo ele, a candidatura tem como objetivo preservar a democracia e dar continuidade às políticas implementadas por seu governo.
"Vou concorrer para garantir que o Brasil mantenha-se como país democrático, porque não é possível imaginar irresponsáveis governando um país de 215 milhões de habitantes", afirmou.
Críticas ao antecessor
Na parte improvisada do discurso, Lula fez um balanço de seus mandatos e afirmou que seu governo voltou a reduzir a fome, ampliar o emprego e retomar o crescimento econômico. Também disse que encontrou, ao retornar ao Palácio do Planalto em 2023, obras públicas paralisadas e estruturas ministeriais desmontadas - em uma crítica ao seu antecessor, o ex-presidente Jair Bolsonaro - pai do principal concorrente de Lula na disputa de 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Na parte final da fala, Lula voltou ao tema da integração regional e afirmou que o Mercosul deve sobreviver às mudanças de governo nos países-membros.
"Acreditem: independentemente de quem seja eleito no Brasil, o Mercosul continuará sendo prioridade para o Brasil", disse.
O presidente também defendeu que divergências entre os integrantes do bloco sejam resolvidas por meio do diálogo e afirmou que esse é o caminho para consolidar um projeto comum de integração econômica, política e cultural.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



