Valdir Barbosa | Brasil disparou no agro, mas tem travas geopolíticas com EUA e China

São situações que envolvem questões políticas comerciais tarifadas, que podem comprometer as exportações da agropecuária brasileira

Dos grandes produtores não se ouve reclamação, porque são mais amparados pela indústria e pelo governo

Amigas e amigos do Agro!

O Brasil fechou 2025 com um saldo altamente positivo no agronegócio. Juros altos, falta de seguro rural, questões climáticas e até os movimentos geopolíticos pelo mundo afora não impediram que o Brasil se destacasse entre as principais potências agrícolas do mercado internacional.

Alguns setores tiveram dificuldades para atravessar os últimos 360 dias, caso da crise do leite, que não deixa os produtores equilibrados por um longo período.

Dos grandes produtores não se ouve reclamação, porque são mais amparados pela indústria e pelo governo. Os pequenos que se virem, como se o leite não fosse um dos primeiros e mais importantes alimentos na história da humanidade.

E no Rio Grande do Sul há um bom número de agricultores que perderam o rumo da estrada. Lá, eles tiveram quatro anos seguidos de forte seca e enchentes em anos alternados.

Foram perdendo tudo e hoje devem aos bancos e não há alternativa para novos créditos. O governo anuncia verba de ajuda, porém, os agricultores não conseguem preencher o cadastro exigido pelos agentes financiadores.

Mas tem um outro lado positivo da história. O Brasil é o líder na produção mundial de suco de laranja, soja, açúcar, café e assumiu agora o primeiro lugar também na carne bovina. Em segundo lugar temos a celulose e o etanol.

Agora, confira a liderança mundial do Brasil nos produtos exportados: café, carne bovina, soja, suco de laranja, açúcar, frango, fumo, algodão e celulose.

O café arábica brasileiro, com a maior parte se produzindo em Minas Gerais, vai se espalhando mundo afora e o café conilon também segue ganhando mercado. Sempre digo que o café é a bebida mais consumida no mundo. A água não entra nesse contexto porque trata-se de sobrevivência. O café bebe-se pelo prazer!

E o que nos aguarda em 2026?

Com certeza um Brasil quebrando novas marcas históricas na produção e exportação de alimentos, produtos agrícolas de uma forma geral.

Há vários interesses comerciais envolvendo diversas potencias do agronegócio e um novo realinhamento comercial vai sendo desenhado.

Os Estados Unidos, que retiraram algumas tarifas contra produtos agrícolas brasileiros, discutem nova aliança comercial com o Canadá e México e o resultado disso vem com as recentes tarifas mexicanas contra o Brasil, Coréia do Sul, Índia, Rússia e China. Extrema coincidência, não?

O Brasil terá taxa de 25% na carne bovina, 20% na suína. Feijão e tilápia também receberão novas tarifas.

O acordo comercial entre União Europeia e Mercosul pode ter nova decisão em janeiro, entretanto, a força que demonstra os agricultores espanhóis, franceses, belgas, poloneses e italianos, principalmente, fazem tremer os deputados do Parlamento Europeu que vão precisar de votos na próxima eleição.

Quem acompanhou os protestos em Paris com os agricultores invadindo a cidade e espalhando esterco e capim pelo Arco do Triunfo e Avenida Champs Eliseés, perceberam a força do agro francês.

Jogaram até esterco em frente a casa de praia do presidente Macron, em Torquet, Norte da França. Em dezembro houve outro violento protesto em Bruxelas.

Então, se não for um bom acordo, melhor deixar como está!

Temos algumas dúvidas sobre como vai se comportar a China com relação a compra de soja argentina, americana e a brasileira. Sinais ficaram marcados em novembro passado.

Preocupa também a super tarifa de 55% da China sobre o excedente da carne bovina brasileira, que hoje ultrapassaria a 500 mil toneladas.

Itatiaia Agro, Valdir Barbosa

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Produtor rural no município de Bambuí, em Minas Gerais, foi repórter esportivo por 18 anos na Itatiaia e, por 17 anos, atuou como Diretor de Comunicação e Gerente de Futebol no Cruzeiro Esporte Clube. Escreve diariamente sobre agronegócio e economia no campo.

A opinião deste artigo é do articulista e não reflete, necessariamente, a posição da Itatiaia.

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